Tony Ramos entrega, em Dona de Mim, uma das atuações mais delicadas e potentes de sua carreira. Como Abel, ele constrói um homem dividido entre a verdade e o amor, com gestos contidos e uma emoção que pulsa por trás do olhar. Cada aparição sua é marcada por densidade, dignidade e humanidade.
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A cena em que Abel revela a Sofia (Elis Cabral) que não é seu pai biológico é um desses momentos que ficam. Com voz trêmula e olhos marejados, Tony transmite a dor de quem ama profundamente, mesmo sem o laço de sangue. O texto primoroso de Rosane Svartman, a mais sensível e inventiva dramaturga da atualidade, encontra no ator o seu mais fiel intérprete.
Elis Cabral responde à altura. Sua Sofia reage com surpresa, fragilidade e maturidade ao mesmo tempo. As expressões trocadas entre os dois dizem mais do que qualquer diálogo. A química dramática entre eles sustenta uma das passagens mais emocionantes da novela — um encontro de gerações e talentos em estado bruto.

É raro ver uma cena tão bem construída, com tanta verdade. Em minutos, o público foi levado ao centro de um abismo afetivo, onde o amor falou mais alto que a origem. Um momento que reafirma a força da teledramaturgia brasileira — especialmente quando guiada por uma autora que conhece profundamente a alma de seus personagens.
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