Em CENA

Sergio Guizé transforma Candinho em personagem imortal da TV

Com delicadeza, rigor e humanidade, o ator faz de Êta Mundo Melhor! um gesto de afeto que atravessa gerações

Publicado em 07/02/2026

Sergio Guizé faz algo cada vez mais raro na televisão contemporânea: ele humaniza o tempo. Em Êta Mundo Melhor!, Candinho não corre, não grita, não compete com o ruído do mundo. Ele caminha. E, ao caminhar, ensina. Guizé constrói o personagem a partir de uma ética silenciosa, quase artesanal, onde cada gesto tem sentido e cada pausa carrega pensamento. Não há pressa em convencer o espectador. Há confiança. Candinho existe porque acredita. E essa crença, hoje, é revolucionária.

Há atores que interpretam personagens. Há outros que fundam personagens. Candinho pertence a esse segundo grupo. Assim como o vagabundo de Charlie Chaplin, ele ultrapassa a obra que o abriga. É reconhecível pelo corpo, pelo olhar, pela maneira como ocupa o espaço. Guizé entende que o humor verdadeiro nasce da dignidade, não da piada. O riso vem depois da empatia. Primeiro, ele nos toca. Depois, nos desarma. O resultado é um personagem que não envelhece, porque não depende de moda nem de ironia.

Nesta nova fase, o Candinho amadureceu sem endurecer. A busca pelo filho Samir (Davi Malizia) e o afeto construído com Dita (Jeniffer Nascimento) ampliam a dor e a responsabilidade do personagem, mas jamais o afastam de sua essência. Guizé faz do sofrimento um lugar de passagem, não de permanência. Candinho sofre, cai, levanta e segue acreditando. Não por ingenuidade, mas por escolha moral. Ele sabe o quanto o mundo pode ser cruel — e ainda assim decide ser bom.

Talvez esteja aí a grandeza dessa atuação. Em um país cansado, descrente e ferido, Sergio Guizé entrega um personagem que não humilha a esperança, não a transforma em caricatura. Ao contrário: ele a trata com seriedade. Em meio a uma produção industrial, de jornadas duras e exigência contínua, Guizé trabalha com entrega e alegria visíveis. Sai desse projeto maior porque nos lembra do essencial. Candinho não é só um personagem de novela. É um lembrete. E lembretes assim ficam para sempre.

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