Foco na TV

Rodrigo Fagundes faz de Nicolau uma presença luminosa em Quem Ama Cuida

Ator fora da curva transforma o garçom da novela das nove em um respiro de afeto, humor e humanidade em meio às sombras da trama

Publicado em 26/06/2026

Há atores que entram em cena para cumprir uma função. Outros parecem carregar uma pequena reserva de luz, dessas que a televisão guarda para lembrar ao público que ainda existe delicadeza no meio do caos. Rodrigo Fagundes pertence a esse segundo grupo. Em tempos tão sombrios, em que quase tudo parece áspero, apressado e endurecido, encontrar um ator capaz de construir personagens amorosos é uma dádiva. Não se trata de ingenuidade, mas de uma qualidade rara: a capacidade de fazer o afeto parecer interessante.

Em Quem Ama CuidaNicolau (Rodrigo Fagundes) surge como garçom, irmão de Lyris (Pri Helena) e uma espécie de conselheiro involuntário de Brigitte (Tatá Werneck). Sem conhecer a fundo a dimensão das obsessões da moça, ele se aproxima dela com um misto de humor, paciência e espanto. Ora acoberta suas confusões, ora tenta frear seus impulsos. É nesse equilíbrio que Rodrigo mostra seu talento: ele faz rir sem diminuir a cena, aconselha sem parecer moralista e transforma um personagem de apoio em presença afetiva.

O mais bonito é perceber que há uma assinatura emocional no trabalho do ator. Os personagens de Rodrigo Fagundes costumam carregar alguma forma de amorosidade, mesmo quando estão cercados por situações absurdas ou por pessoas difíceis. Ele entende o humor como gesto humano, não apenas como piada. Nicolau poderia ser só o alívio cômico da trama, mas ganha camadas porque o intérprete sabe escutar, reagir e ocupar o espaço com verdade. Seu olhar comenta a cena antes mesmo da fala chegar.

Em uma novela marcada pela injustiça contra Adriana (Letícia Colin), pela ambição dos Brandão e pelos excessos passionais de Brigitte, Nicolau funciona como respiro. Rodrigo Fagundes entrega um trabalho de delicadeza precisa, daqueles que parecem simples justamente porque são muito bem feitos. Ele é um ator de primeira, fora da curva, e sua presença lembra algo essencial: em folhetim, nem só de vilania, vingança e lágrimas vive o público. Às vezes, o que segura uma história também é alguém capaz de oferecer humanidade.

O conteúdo veiculado nesta coluna é de total responsabilidade do colunista parceiro. As opiniões e informações aqui expressas não são de responsabilidade do Grupo Observatório.