Em Quem Ama Cuida, nova novela das 9 da Globo, Brigitte (Tata Werneck) aparece como uma dessas personagens que podem alterar a percepção pública sobre uma atriz. Conhecida pela velocidade do humor, pelo improviso e pela inteligência cômica, Tata entra agora em uma zona mais espessa, onde a graça pode até existir, mas nasce de um desconforto profundo.
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Nos bastidores da Globo, a personagem já é tratada como um possível divisor de águas na carreira da atriz. Brigitte é filha de Pilar (Isabel Teixeira), irmã de Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva), mas parece viver à margem de qualquer afeto estável. A rejeição materna deixou nela uma espécie de rachadura emocional, e é por essa fresta que a personagem tenta, sem sucesso, encontrar sentido nos homens que deseja.
Há em Brigitte uma solidão que não se resolve com romance. Ela é uma mulher emocionalmente incompleta, alguém que procura no outro a parte que acredita ter perdido. Por isso, sua obsessão não nasce apenas da vaidade ou do capricho, mas de uma carência quase estrutural. Quando passa a mirar César (Rainer Cadete), novo sócio da clínica de Rafael, ela não entra apenas na vida dele: invade também a harmonia do casamento dele com Bia (Maria Ribeiro).
O que torna a personagem interessante é justamente o risco de tratá-la sem facilidades. Brigitte pode ser inconveniente, excessiva e até absurda, mas sua força dramática está no vazio que a empurra para atitudes perigosas. Para Tata Werneck, o papel pode abrir uma nova leitura de sua carreira: menos refém da comédia imediata, mais próxima de uma mulher quebrada por dentro, capaz de provocar riso, incômodo e pena na mesma cena.
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