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Opinião: Patrícia Poeta faz do Encontro um espaço de escuta rara nas manhãs da Globo

Apresentadora consolida uma identidade própria ao transformar acolhimento, informação e presença em linguagem televisiva

Publicado em 09/06/2026

A televisão costuma valorizar quem fala alto, ocupa espaço e produz impacto imediato. Mas há uma forma mais difícil de comunicação, menos ruidosa e talvez mais duradoura: a de quem consegue fazer companhia. No comando do Encontro, Patrícia Poeta parece ter entendido que a manhã não pede apenas informação ou entretenimento. Pede presença. Pede alguém capaz de atravessar assuntos duros, histórias comuns e momentos leves sem transformar tudo em espetáculo.

O mérito de Patrícia está justamente na construção dessa medida. Ela não tenta imitar modelos anteriores nem disputar protagonismo com a memória afetiva do programa. Criou uma identidade própria, sustentada por uma combinação de jornalismo, espontaneidade e escuta. Quando o tema exige firmeza, ela sabe conduzir. Quando a conversa pede delicadeza, desacelera. Essa alternância, muitas vezes subestimada, é uma das qualidades mais difíceis da televisão ao vivo.

Há também um ponto importante em sua presença cênica. Patrícia Poeta não parece atuar para parecer próxima do público. Ela simplesmente se aproxima. Sua comunicação é clara, popular no melhor sentido da palavra, mas sem perder acabamento profissional. A apresentadora consegue falar de saúde, comportamento, drama familiar, cultura popular e prestação de serviço com a mesma disposição para ouvir. O acolhimento, em seu caso, não funciona como ornamento. Funciona como linguagem.

Em um tempo em que parte da televisão confunde emoção com excesso e intimidade com invasão, Patrícia encontrou um caminho mais interessante. O Encontro sob seu comando ganhou a marca de uma comunicadora que entende o valor da conversa e da companhia diária. Não é pouco. Num país que ainda liga a TV pela manhã para se informar, se distrair e se sentir menos sozinho, Patrícia Poeta confirma que relevância também pode nascer da suavidade, da consistência e de uma humanidade que câmera nenhuma consegue fabricar.

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