Há vilões que cumprem uma função narrativa. E há aqueles que reorganizam a história ao seu redor. Em A Nobreza do Amor, Lázaro Ramos pertence claramente ao segundo grupo. Em sua estreia como grande antagonista de uma novela, o ator constrói um personagem que não se impõe pelo excesso, mas pela precisão. Jendal não precisa levantar a voz para intimidar. Sua força nasce da certeza absoluta de que está certo. E poucos elementos são mais perigosos do que um homem convencido da própria missão.
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Durante décadas, Lázaro foi associado a personagens calorosos, humanos e frequentemente guiados por princípios éticos. Ver esse mesmo intérprete assumir a pele de um governante autoritário, cruel e obcecado pelo poder produz um efeito raro. Não apenas pela ruptura de imagem, mas pela qualidade do resultado. O ator demonstra domínio absoluto do personagem e encontra nuances onde seria fácil recorrer a soluções óbvias. Jendal é ameaçador porque parece acreditar sinceramente em cada uma de suas decisões.
O texto dos autores oferece matéria-prima generosa. Jendal derruba um rei, governa pelo medo, manipula aliados, transforma sentimentos em obsessão e faz da busca por Alika (Duda Santos) uma verdadeira cruzada pessoal. Mas o que diferencia a atuação de Lázaro é sua recusa em simplificar o personagem. Ele não interpreta um homem mau. Interpreta alguém que se enxerga como indispensável para a própria história. Essa convicção transforma cada cena em um exercício de tensão silenciosa.
O resultado é um vilão raro na televisão brasileira. Não porque seja o mais perverso, mas porque é um dos mais completos. Lázaro Ramos não procura desculpas para Jendal, tampouco tenta torná-lo simpático. Apenas o interpreta com profundidade, inteligência e rigor. Em uma novela repleta de bons desempenhos, sua presença frequentemente altera a temperatura dramática da cena. É o tipo de trabalho que confirma algo que o público já sabia: grandes atores crescem ainda mais quando encontram personagens à altura do seu talento.
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