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Opinião: Daphne Bozaski e o veneno doce de Lucélia em Três Graças

A atriz troca a imagem de mocinha pela vilã ardilosa e confirma sua maturidade artística na novela das nove

Publicado em 14/02/2026

Há atores que crescem aos poucos diante do público. E há aqueles que, discretamente, já nascem prontos. Daphne Bozaski pertence à segunda categoria. Conhecida pela doçura que marcou personagens como Benê, em Malhação Viva a Diferença, e Lupita, em Família é Tudo, a atriz agora opera um giro de eixo em Três Graças e entrega uma vilã que age pelas sombras com precisão quase cirúrgica. Lucélia não grita. Ela insinua. Não ameaça. Contamina.

Na novela das nove de Aguinaldo Silva, Daphne compõe uma antagonista que entende o poder do silêncio e da espera. Sobrinha de Kasper, vivida por Miguel Falabella, órfã e aparentemente frágil, Lucélia constrói sua maldade com gestos mínimos e olhares calculados. A relação com Bagdá, interpretado por Xamã, adiciona camadas inesperadas. Ao mesmo tempo em que manipula, ela desperta no chefe do tráfico um lado artístico adormecido, criando um contraste raro entre brutalidade e lirismo.

O que impressiona é a maturidade da intérprete. Aos 33 anos, com formação em balé clássico e contemporâneo e sólida base teatral, Daphne domina o corpo e a pausa. Seu percurso já a colocava em lugar de destaque. Benê lhe deu projeção internacional com o Emmy Kids. Lupita lhe rendeu prêmio no Domingão. Mas é em Lucélia que ela revela ambição estética. Assume o risco de ser odiada. E sustenta o desconforto com elegância.

Não é exagero afirmar que Daphne Bozaski se consolida como uma das maiores atrizes de sua geração. Em uma televisão que muitas vezes confunde intensidade com volume, ela escolhe a sutileza. Em vez de caricatura, constrói complexidade. Lucélia pode ser cruel e manipuladora, mas nunca é rasa. E essa profundidade é mérito exclusivo de uma atriz que compreendeu que o verdadeiro poder dramático está no que não se diz.

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