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Opinião: Andréia Horta transforma traição em arte e rouba a cena em Três Graças

Como Zenilda, atriz entrega catarse, força dramática e prova que não existe papel pequeno para um talento do seu calibre

Publicado em 12/02/2026

Há atrizes que entram em cena. E há aquelas que reorganizam a cena ao seu redor. Andréia Horta pertence ao segundo grupo. Em Três Graças, ela transforma Zenilda em um acontecimento dramático. O texto já oferece conflito, mas Andréia adiciona espessura. Trabalha o silêncio, a respiração contida, o olhar que antecede a ruptura. O resultado não é apenas uma boa atuação. É presença.

A sequência em que Zenilda descobre que o marido, Santiago Ferette, personagem de Murilo Benício, mantém um caso com sua melhor amiga, vivida por Grazi Massafera, é um divisor na narrativa. Não pelo choque do flagrante, mas pela implosão emocional que se dá em camadas. Primeiro a incredulidade. Depois a humilhação. Em seguida, a escolha consciente de não desmoronar diante de quem a feriu. Andréia constrói a catarse sem grito fácil. Entrega dor com controle.

Zenilda poderia cumprir a função clássica da esposa traída. Andréia não permite. Ela imprime dignidade ferida, inteligência estratégica e uma frieza que nasce do trauma. A virada da personagem não vem como explosão histérica, mas como cálculo. Ao decidir expor o ex-marido, Zenilda age com método. Não é reação. É movimento.

Na novela das nove, onde cada cena vira julgamento instantâneo nas redes, Andréia sustenta enfrentamentos com Murilo Benício e divide cena com Grazi Massafera sem perder centralidade. Mesmo quando cala, permanece. Mesmo quando observa, conduz. Zenilda ganha estatura porque há uma atriz que entende que intensidade não é volume, é verdade. E verdade, quando aparece, domina o quadro.

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