Há presenças que não precisam disputar o centro da cena para mudar a força de uma novela. Em Três Graças, uma dessas presenças cresceu aos poucos, em silêncio, com precisão e verdade, até se tornar uma peça importante na engrenagem dramática da trama.
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Lorrana Mousinho chegou à novela das nove em seu primeiro papel fixo na televisão aberta e deu vida a Cláudia, cuidadora noturna de Josefa (Arlete Salles). A personagem começou discreta, quase lateral, mas escondia uma função decisiva: atuava secretamente como espiã de Rogério (Eduardo Moscovis) dentro da mansão de Arminda (Grazi Massafera).
O grande mérito da atriz foi construir Cláudia sem pressa e sem excesso. Havia atenção no olhar, cálculo nas pausas e humanidade na tensão. Nas cenas com Sophie Charlotte e outros nomes centrais da novela, Lorrana não apenas ocupou espaço. Ela alterou o clima, trouxe informação dramática e fez uma personagem aparentemente funcional ganhar peso próprio.
A virada da trama também exigiu entrega física e emocional. Cláudia sofreu uma tentativa de assassinato por atropelamento encomendada por Ferette (Murilo Benício), sobreviveu, reapareceu em uma cadeira de rodas e voltou como peça fundamental na busca por justiça. Ao revelar o segredo da estátua que escondia uma fortuna, a personagem confirmou sua importância na reta final. Lorrana Mousinho mostrou presença, escuta e força cênica, dessas que a televisão não deveria desperdiçar.
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