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Do caos ao acerto: Casa do Patrão vira o jogo após estreia irregular e já aponta para sucesso

Reality de Boninho resgata a essência dos primeiros formatos, foge da sombra do BBB e encontra em Leandro Hassum um trunfo inesperado

Publicado em 28/04/2026

Mesmo ainda ajustando o próprio ritmo, Casa do Patrão já dá sinais claros de que não nasceu para ser um produto descartável. A estreia, com pequenas falhas naturais de qualquer formato novo, não compromete o principal: a essência de um reality raiz, daqueles que apostam mais no comportamento humano do que em firulas de produção. E isso tem assinatura.

Boninho, que hoje carrega o peso de ter moldado o maior reality do país, parece revisitar a própria origem. Muita gente esquece, mas os primeiros Big Brother Brasil também nasceram com estrutura mais enxuta, testando linguagem, dinâmica e até o limite do público. O que se vê agora é quase um retorno a esse DNA. Um jogo mais cru, mais direto, onde o poder e suas consequências conduzem a narrativa sem depender de grandes pirotecnias. O mérito é todo de quem entende o gênero como poucos.

É um erro, aliás, tentar colocar Casa do Patrão na mesma régua do BBB. São propostas, tempos e contextos diferentes. Enquanto um é uma engrenagem consolidada, o outro ainda está se apresentando ao público. E há valor nisso. O programa chega sem a obrigação de ser perfeito, mas com espaço para crescer, ajustar e, principalmente, conquistar quem ainda busca um reality com cara de experimento social.

Nesse cenário, Leandro Hassum surge como uma escolha mais interessante do que parecia à primeira vista. Fora da zona de conforto, ele abandona o humor escancarado para investir em uma condução mais contida, quase observadora. Ainda em processo de lapidação, é verdade, mas já com sinais de um apresentador que pode encontrar um equilíbrio curioso entre leveza e firmeza. Mais agridoce, mais humano.

Com 18 participantes anônimos, prêmio que pode chegar a R$ 2 milhões e dinâmica baseada em poder rotativo, Casa do Patrão aposta no básico bem feito. Exibido diariamente na Record, com transmissão 24 horas no Disney+, o reality ainda caminha nos primeiros passos. Mas há ali um elemento difícil de fabricar: potencial. E, em televisão, isso costuma ser meio caminho andado.

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