Há algo quase místico na comunhão entre ator e personagem quando o casamento é perfeito. A dramaturgia brasileira já testemunhou esse fenômeno algumas vezes — e Êta Mundo Melhor! reforça esse privilégio ao trazer de volta Sergio Guizé na pele de Candinho, figura icônica de nossa teledramaturgia contemporânea. Assim como Johnny Depp com seu inigualável Capitão Jack Sparrow, Guizé entra em cena e tudo ao redor se molda à sua presença, como se apenas ele pudesse habitar aquele universo com tanta verdade.
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O tempo passou, os cenários mudaram, o mundo lá fora virou de cabeça para baixo, mas Guizé permanece em cena com a mesma energia luminosa que arrebatou o público em Êta Mundo Bom! — prova de que há papéis que não se interpretam, se incorporam. Não há resquício de artificialidade em sua construção: Candinho é doce, é ingênuo, é resiliente, e Sergio oferece isso ao público sem afetar, com uma entrega que parece brotar diretamente da alma.
Esse tipo de simbiose artística, poucos alcançam. Johnny Depp fez de Jack Sparrow um arquétipo, algo maior que o próprio roteiro. Sergio Guizé trilha o mesmo caminho ao reafirmar Candinho como um símbolo popular, uma ode à pureza em tempos de ceticismo. Em cada sorriso torto, em cada olhar perdido, há uma centelha de esperança — e o público, que sabe reconhecer o genuíno, retribui com afeto e devoção.

Entre tantos rostos que se revezam nas telas, são raros os que carregam esse selo de predestinação. Sergio Guizé é um deles. E Êta Mundo Melhor! só confirma o que já se sabia: alguns papéis encontram o ator certo, e o resultado é atemporal.
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