Uma personagem criada para causar desconforto promete abrir uma frente diferente em Quem Ama Cuida. No meio de uma trama marcada por herança, morte e vingança, a novela também vai tocar em um tema muito atual: a obsessão afetiva, quando carência, desejo e falta de limites se transformam em perseguição.
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Brigitte (Tata Werneck) é filha de Pilar (Isabel Teixeira), irmã de Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva). Marcada pela rejeição materna, ela carrega uma ferida emocional que aparece em sua forma desajustada de se relacionar. A personagem costuma perseguir os homens por quem se interessa e, depois de investidas fracassadas, passa a mirar César (Rainer Cadete), dermatologista casado com Bia (Maria Ribeiro).
A grande força desse arco está na aproximação com um imaginário recente do público. Brigitte não é uma cópia de Bebê Rena, fenômeno da Netflix criado e estrelado por Richard Gadd, mas dialoga com o mesmo território dramático da perseguição afetiva. Assim como a série mostrou o avanço de uma obsessão sobre a rotina e a segurança emocional de uma pessoa, a novela deve levar esse incômodo para o campo do folhetim popular.
A diferença é que Quem Ama Cuida tende a misturar tensão doméstica, humor ácido e melodrama para construir essa ameaça. Brigitte surge como uma figura vazia, carente e perigosa em sua forma de amar, capaz de invadir a vida de César e Bia sem pedir licença. Em uma história já atravessada por crime e disputa de fortuna, ela representa outro tipo de perigo: aquele que nasce do afeto distorcido e da incapacidade de aceitar limites.
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