Há artistas que entram em cena para cumprir uma função. E há artistas que chegam para lembrar ao público por que a televisão ainda é esse lugar de encontro, consolo e reconhecimento. Mesmo antes da estreia de Quem Ama Cuida, já é possível perceber, pelas chamadas e pelos bastidores, que a protagonista vem sendo construída com uma entrega rara, dessas que não parecem calculadas, mas nascidas de vocação, disciplina e verdade.
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Letícia Colin assume Adriana com a força de quem entende o tamanho de uma mocinha de novela das nove. A personagem é uma fisioterapeuta da periferia de São Paulo que perde o marido, a casa e o emprego no mesmo dia, após uma enchente devastadora. Mesmo ferida pela vida, ela não surge como uma mulher frágil, mas como alguém que encara a dor de frente, respira fundo e segue. É exatamente esse tipo de personagem que conversa com milhões de brasileiros que ligam a TV depois de um dia exaustivo.
Poucas atrizes conseguem ser unanimidade em seu campo profissional. Letícia é uma delas. Centrada, generosa, vocacionada e sempre disposta, ela tem algo que vai além do talento técnico: uma escuta emocional que atravessa a tela. Em Quem Ama Cuida, Adriana se aproxima de Arthur Brandão, vivido por Antonio Fagundes, cria com ele uma amizade profunda e aceita um casamento de fachada para protegê-lo da ganância da própria família. A partir daí, a personagem será acusada injustamente de assassinato e precisará reconstruir a própria vida depois da prisão.
O que se anuncia é uma protagonista de queda e renascimento, dessas que carregam o melodrama popular em sua forma mais potente. Ao lado de Chay Suede, Tony Ramos, Isabel Teixeira, Alexandre Borges, Flávia Alessandra e Mariana Ximenes, sob a direção artística de Amora Mautner, Letícia tem tudo para entregar uma personagem de grande impacto. Adriana pode ser mais do que a mocinha da vez: pode ser um espelho de resistência, dignidade e recomeço. E Letícia Colin, quando entra inteira em uma história, não entrega cem por cento. Entrega mil.
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