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4 motivos que entregam que Pedro pode ser o verdadeiro vilão de Quem Ama Cuida

Advogado diz amar Adriana, mas sua omissão, sua relação com Ademir e seus silêncios levantam dúvidas sobre o papel real do personagem na novela das nove

Publicado em 28/06/2026

Há personagens que não precisam cometer um crime para ocupar o lugar mais perigoso de uma história. Às vezes, o verdadeiro problema está em quem sabe demais, sente demais, promete demais, mas age de menos. Em Quem Ama CuidaPedro (Chay Suede) vem sendo apresentado como o homem que ama Adriana (Letícia Colin) e sofre com a condenação injusta da protagonista pela morte de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). Só que algumas atitudes do advogado começam a abrir uma pergunta incômoda: e se Pedro não for o mocinho que a novela parece vender?

O primeiro motivo está na forma como ele lida com os fatos. Pedro descobre que Ademir (Dan Stulbach) subornou Tom (Allan Souza Lima), conta isso a Elisa (Isabela Garcia) e até pressiona o pai, mas a verdade nunca avança na velocidade que deveria. O personagem sabe que há algo podre no caminho que levou Adriana à prisão, porém sua reação parece sempre insuficiente diante da gravidade do que está em jogo. Ele enxerga a armação, mas não consegue transformar a descoberta em libertação. Para um advogado apaixonado pela mulher condenada, isso pesa.

O segundo motivo é a postura diante do próprio pai. Pedro até confronta Ademir em alguns momentos, mas nunca parece peitá-lo frontalmente com a força que a situação exige. O criminalista recebe intimação para explicar depósitos feitos na conta de Tom, se nega a dar explicações, e Pedro segue preso a uma espécie de limite emocional dentro da própria casa. Essa dificuldade de romper de vez com Ademir enfraquece o discurso amoroso do personagem. Quem ama de verdade pode até ter medo, mas não deveria parecer tão contido diante de uma injustiça tão brutal.

O terceiro motivo aparece na relação com Adriana. Pedro afirma amar a protagonista, nega uma segunda chance a Bruna e sofre por não conseguir tirá-la da prisão. Ainda assim, o amor dele chega quase sempre tarde, cercado de impotência e culpa. Quando Zeni (Rosanna Viegas) ataca Adriana no presídio, ele corre atrás de respostas, mas a protagonista já está ferida, ameaçada e emocionalmente esgotada. Não por acaso, Adriana chegará ao ponto de avisar que não deseja mais vê-lo. Existe algo muito cruel em um amor que promete proteção, mas assiste à mulher amada continuar caindo.

O quarto motivo está no subtexto das cenas. Pedro pode dizer as frases certas, pode sofrer, pode se indignar, mas alguns olhares entregam uma ambiguidade que a novela parece cultivar de propósito. Há momentos em que ele não parece apenas amoroso, e sim dividido, hesitante, atravessado por um cálculo que ainda não foi revelado. Talvez não seja vilania no sentido clássico, de risada fria e plano perverso. Talvez seja pior: a vilania de quem se coloca como salvador, mas nunca salva de fato. Em Quem Ama Cuida, Pedro pode não ser o grande criminoso da história. Mas, se continuar sabendo, hesitando e falhando, corre o risco de virar o tipo mais incômodo de vilão: aquele que jura amar enquanto deixa a tragédia acontecer.

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