Reforma Tributária pode mudar os bastidores da TV brasileira, diz especialista

Publicado em 06/07/2026

Quem acompanha novelas, realities e programas de auditório dificilmente imagina toda a estrutura necessária para colocar uma produção no ar. Muito além dos estúdios e dos talentos diante das câmeras, a televisão depende de uma cadeia que envolve equipamentos de alta tecnologia, sistemas de transmissão e operações logísticas que, em muitos casos, passam pelo mercado internacional.

Com o avanço da Reforma Tributária, especialistas avaliam que esse cenário poderá passar por mudanças importantes. A substituição gradual dos tributos atuais pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além do fim da chamada guerra fiscal entre os estados, tende a alterar a forma como empresas organizam suas operações de importação e distribuição.

Segundo Lucas Congo, especialista em comércio exterior, embora o tema seja frequentemente associado à indústria e ao varejo, os reflexos também podem alcançar o setor audiovisual, que depende de equipamentos importados de alto valor agregado para manter sua operação.

Durante muitos anos, diversas empresas estruturaram suas operações considerando incentivos fiscais oferecidos por determinados estados. Com a Reforma Tributária, essa lógica começa a mudar. A tendência é que fatores como eficiência logística, tempo de desembaraço aduaneiro e custo operacional passem a ter um peso muito maior nas decisões”, explica.

Na prática, a mudança pode impactar emissoras de televisão, produtoras independentes e plataformas de streaming que investem constantemente na renovação de tecnologia para produções, transmissões e infraestrutura técnica.

Câmeras cinematográficas, lentes, sistemas de iluminação, painéis de LED, equipamentos de áudio, servidores e diversas outras tecnologias utilizadas nos bastidores da TV costumam integrar cadeias internacionais de fornecimento. Para Congo, esse novo cenário exigirá uma revisão do planejamento logístico das empresas do setor.

“As empresas que começarem agora a revisar suas cadeias logísticas, estruturas societárias e estratégias tributárias terão uma vantagem importante durante a transição. A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na forma de recolher impostos; ela pode redefinir a maneira como diferentes setores organizam suas operações nos próximos anos”, afirma.

O especialista destaca ainda que o fim gradual dos incentivos fiscais estaduais não elimina a necessidade de planejamento estratégico. Pelo contrário, torna a eficiência operacional ainda mais relevante.

“O planejamento continuará sendo essencial, mas deixará de depender principalmente dos incentivos regionais. As empresas passarão a analisar com mais atenção questões como infraestrutura, logística, tempo de operação e competitividade. Esse movimento pode influenciar diretamente setores que trabalham com tecnologia e importação, como o audiovisual”, completa.

Embora a regulamentação complementar da Reforma Tributária ainda esteja em desenvolvimento, a expectativa é de que empresas dos mais diversos segmentos iniciem, desde já, uma revisão de suas estratégias. Para emissoras, produtoras e plataformas de streaming, acompanhar essas mudanças poderá ser determinante para manter competitividade e eficiência em um mercado cada vez mais tecnológico.

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