Memória da TV

TBTV: Dona Beija já parava o Brasil em 1986

Inspirada na figura real de Ana Jacinta de São José, a produção transformou uma história do Brasil imperial em puro entretenimento provocativo.

Publicado em 26/02/2026
Maitê Proença e Gracindo Junior em Dona Beija de 1986

Antes de virar remake, meme cult e referência de protagonista feminina que manda mais que coronel, Dona Beija já parava o Brasil lá em 1986 — e olha… tem muita fofoca de bastidor que até hoje pouca gente lembra.

Exibida pela extinta TV Manchete, a primeira versão de Dona Beija foi praticamente um escândalo em forma de novela. Escrita por Wilson Aguiar Filho e dirigida por Herval Rossano, a trama chegou chegando, misturando romance de época com uma ousadia que fazia muito diretor da concorrência perder o sono.

E não era só a história, não.

A escolha de Maitê Proença para viver a lendária Ana Jacinta de São José causou um verdadeiro burburinho nos corredores da emissora. Dizem que teve gente torcendo o nariz achando que ela era sofisticada demais pro papel de uma mulher que desafiava a moral da sociedade mineira do século XIX. Resultado? Maitê entregou uma Dona Beija tão sensual e imponente que virou símbolo sexual da televisão brasileira da noite pro dia.

E uma cena ficou parou o Brasil: O banho de cachoeira.

Gravado em externas em Araxá, cidade natal da verdadeira Dona Beija, o momento em que a personagem aparece praticamente nua entrou para a história — e também para a lista de reclamações de telespectadores mais conservadores. Telefones da Manchete não paravam! Teve associação de família protestando, teve editorial indignado… e teve audiência lá em cima, claro.

Nos bastidores, correu à boca pequena que a equipe enfrentou um frio absurdo durante a gravação dessas sequências — e que Maitê teria improvisado parte da movimentação em cena para terminar tudo mais rápido dentro d’água gelada. Profissional ou lenda? Até hoje ninguém confirma oficialmente… mas que a cena ficou icônica, ficou.

Os figurinos também fizeram história.

Os vestidos decotadíssimos usados pela protagonista precisavam passar por aprovação quase diária da direção porque sempre tinha alguém achando que estava “demais”. E quase sempre estava mesmo — o que ajudava a manter o clima de novela proibida que só aumentava a curiosidade do público.

Inspirada na figura real de Ana Jacinta de São José, a produção transformou uma história do Brasil imperial em puro entretenimento provocativo, abrindo caminho para novelas mais ousadas nos anos seguintes.

Hoje pode até parecer leve… mas em 1986, Dona Beija era praticamente TV para maiores de 18 disfarçada de romance de época. E o país? Parava pra ver — nem que fosse escondido.

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