HBO Max

O único (e curioso) erro de Dona Beja

Novela com 40 capítulos estreou dia 02 de fevereiro de 2026

Publicado em 03/02/2026

Vamos combinar? Dona Beja chegou chegando na HBO Max. Texto afiado, iluminação de novela “chique” e atuações que já dão cheiro de prêmio no ar. A nova aposta do streaming claramente quer repetir — ou pelo menos flertar — com o sucesso de Beleza Fatal. E quando falamos em sucesso, não é só audiência: é qualidade, buzz e até aquela repercussão internacional que todo streaming sonha em estampar no press release.

Claro, sejamos realistas: por ser uma obra de época, o boom de números estratosféricos e trends infinitos nas redes deve ser mais contido. O público é mais específico, mais seletivo. Mas isso não diminui em nada o impacto. Pelo contrário.

O cuidado com os detalhes salta aos olhos. Dos diálogos caprichados aos figurinos impecáveis, passando pelos objetos de cena, tudo remete àquela sensação deliciosa deixada pela Dona Beija de 1986, exibida na saudosa TV Manchete. E aí fica impossível não pensar: existe, sim, talento e produção de altíssimo nível fora do “padrão Globo”. Quem sabe a HBO Max não resolve bancar o Adolph Bloch dos tempos modernos e investir pesado, sem medo, em obras desse calibre?

Se para Bloch o problema foi a falta de planejamento para sustentar o sucesso, para o streaming isso, em tese, não deveria ser um obstáculo — apesar das fusões, trocas de nome e burocracias corporativas que sempre atrasam tudo. O risco? Criar um hiato grande demais entre uma produção e outra e esfriar o interesse do público. Mas vai que Beleza Fatal 2 aparece logo e esse medo nem chega a virar realidade…

Agora, vamos ao ponto que realmente deu o que falar: o tal erro de Dona Beja. E já avisamos — ele passa longe de Grazi Massafera. A atriz entrega presença, força e carisma de sobra. Assim como Maitê Proença, ela já garantiu seu lugar na memória afetiva do público como essa personagem icônica.

O problema mesmo está na música de abertura. Calma, não estou dizendo que Blues da Piedade é ruim — longe disso. A canção, interpretada por Larissa Luz e composta por Cazuza e Frejat em 1988, é ótima. O problema é outro: ela simplesmente não conversa com as imagens da abertura, que fazem referência direta à versão clássica da Manchete. Fica aquela sensação estranha… como se a novela fosse para um lado e a trilha sonora da abertura indo para outro. É quase como misturar “Lolovers” com os moradores de Araxá daquela época.  

Talvez uma releitura do tema original de Dona Beija, com nova roupagem e outra interpretação, tivesse sido uma escolha mais certeira. Afinal, aquele clássico — “Beija-flor, beija menina…” — ainda ecoa forte na memória coletiva.

E pra quem gosta de contexto (e de curiosidades de bastidor):

A música de abertura da novela Dona Beija (versão original de 1986, da Rede Manchete) se chamava: Tema de Dona Beija, composta por Wagner Tiso e Fernando Brant, interpretada por Wagner Tiso com o grupo Viva Voz. A canção exaltava o mistério, o poder e a beleza da protagonista em Araxá.

No fim das contas, um detalhe que não apaga o brilho da produção — mas que, sim, rende assunto. 

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