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O programa de Clodovil que marcou os anos 90 e ainda hoje faz falta na televisão brasileira

Exibido na Rede Manchete, Clodovil Abre o Jogo transformava entrevistas em conversas memoráveis, servia café aos convidados e revelou um apresentador impossível de ignorar.

Publicado em 14/05/2026

Quem viveu a televisão dos anos 90 certamente se lembra daquele convite inconfundível de Clodovil Hernandes: “Olha para a lente da verdade e me diz…”.

Era assim que começava uma das entrevistas mais elegantes, imprevisíveis e sinceras da TV brasileira.

Exibido pela extinta Rede Manchete a partir de 13 de julho de 1992, na faixa das 22h40, Clodovil Abre o Jogo rapidamente se transformou em um dos talk-shows mais comentados da época.

Mais do que um programa de entrevistas, a atração tinha o charme de uma conversa íntima. O cenário acolhedor, com uma grande lua ao fundo, ajudava a criar uma atmosfera quase onírica e sofisticada. A mesa posta e o café servido aos convidados completavam a sensação de que o telespectador havia sido convidado para uma visita especial, daquelas em que o tempo passa sem pressa e as melhores histórias surgem naturalmente.

Clodovil, que já era consagrado como estilista e personalidade da televisão, conduzia as conversas com um misto raro de elegância, humor e franqueza. Fazia perguntas diretas, às vezes desconcertantes, mas sempre reveladoras.

Entre os convidados que renderam momentos inesquecíveis estavam Hebe Camargo, Dercy Gonçalves, Rogéria e Elke Maravilha. Eram encontros entre personalidades fortes, sem roteiro engessado e com espaço para revelações surpreendentes.

Um dos momentos mais icônicos do programa acontecia justamente quando Clodovil fixava o olhar no convidado e fazia perguntas que ninguém mais ousava formular. O silêncio que se seguia, muitas vezes, dizia tanto quanto a resposta. Era televisão em estado puro: espontânea, elegante e absolutamente imprevisível.

Um dos diferenciais do programa era justamente essa atmosfera de verdade. Clodovil não tinha receio de tocar em assuntos delicados, mas também sabia ser afetuoso, espirituoso e profundamente humano.

Ao seu lado, o pianista Ronaldo Pelicano, carinhosamente apelidado de “Paixão”, ajudava a dar ao programa um clima ainda mais sofisticado.

Embora a audiência inicial tenha oscilado, a atração conquistou prestígio e permanece na memória afetiva de quem sente saudade de uma televisão mais autoral, com personalidade e espaço para conversas de verdade.

Clodovil Hernandes foi um personagem único. Polêmico, brilhante e absolutamente autêntico, deixou uma marca impossível de apagar na moda e na televisão brasileira.

Relembrar Clodovil Abre o Jogo é recordar uma época em que entrevistas tinham tempo, charme e conteúdo — e em que um simples café servido no estúdio, sob a luz de uma lua cenográfica, era capaz de transformar a televisão em um encontro inesquecível.

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