Globo

Novelas esquecidas voltam ao radar e faixa das 23h pode ressurgir com força total

Em meio a mudanças drásticas, emissora resgata projetos engavetados, reorganiza fila de estreias e mira o retorno de um dos horários mais ousados da TV

Publicado em 21/04/2026

Com a exibição de Guerreiros do Sol, sucesso no Globoplay, na tv aberta, a Globo está promovendo uma verdadeira reviravolta nos bastidores — e o que parecia enterrado pode voltar com força total. A emissora decidiu tirar projetos da gaveta e já avalia o retorno da novela das onze, uma faixa que marcou época com produções intensas e sofisticadas, mas que está fora do ar há cerca de oito anos.

A movimentação não é isolada. Trata-se de uma estratégia ampla de reestruturação da teledramaturgia da Globo, que vem mexendo na fila de novelas e revendo prioridades. Internamente, existe a percepção de que o público ainda sente falta de histórias mais densas e provocativas, exatamente o tipo de conteúdo que costumava ocupar o horário das 23h.

Para quem acompanhou, a faixa ficou marcada por produções como Verdades Secretas, Liberdade, Liberdade, O Astro, Onde Nascem os Fortes e O Rebu (na releitura exibida nesse horário). Essas obras apostavam em temas mais adultos, estética diferenciada e narrativas mais curtas — um formato que pode voltar repaginado.

Nos bastidores, o plano da Globo envolve justamente isso: caso a faixa retorne, a ideia é investir em novelas mais enxutas, com linguagem moderna e forte apelo comercial, dialogando também com o público do streaming. Não seria apenas um revival, mas uma reinvenção completa do horário.

Enquanto isso, a emissora também reorganiza suas próximas estreias. Na fila, estão produções inéditas que vêm sendo reposicionadas, com mudanças estratégicas que impactam diretamente o cronograma. Entre os títulos em desenvolvimento e já previstos para os próximos horários estão novas tramas para as faixas das seis, sete e nove, que vêm passando por ajustes internos antes de ganharem sinal verde definitivo.

Esse movimento acontece em meio a uma verdadeira dança das cadeiras nas novelas, com projetos sendo adiados, antecipados ou reformulados. A Globo busca uma resposta para a concorrência cada vez maior com plataformas digitais e tenta reconquistar o público com histórias mais impactantes.

O possível retorno da novela das onze ganha ainda mais força justamente por esse contexto. A emissora entende que o horário pode funcionar como laboratório criativo e vitrine de inovação — algo que já deu certo no passado e pode voltar a atrair atenção e audiência.

Por enquanto, nada foi oficialmente confirmado, mas o fato é que o assunto já circula com força nos bastidores — e quando a Globo começa a movimentar peças desse porte, dificilmente é por acaso.

E tem mais: a fila de próximas novelas já começa a ganhar forma e envolve projetos ambiciosos e até arriscados. Um deles é O Arroz de Palma, de Bruno Luperi, que voltou a ser desenvolvido após o autor se dedicar ao remake de Pantanal. A trama, baseada na obra de Francisco Azevedo, é de época e dividida em várias fases — o que tem pesado na análise financeira da Globo por conta do alto custo de produção. Ainda assim, o projeto é tratado como forte candidato e pode, inclusive, entrar na fila para suceder Avenida Brasil 2 no horário nobre.

Outro projeto que já ganhou destino certo é Paraíso Perdido, desenvolvida por George Moura e Sergio Goldenberg, inspirada nos textos de Nelson Rodrigues. A novela será produzida para o Globoplay, com direção de Joana Jabace, e promete causar ao abordar temas como conflitos familiares, sexo, hipocrisia e a atual onda conservadora no Brasil — elementos clássicos do universo rodrigueano.

Com projetos caros, temas ousados e decisões estratégicas em jogo, a Globo se vê diante de um momento decisivo — e o possível retorno da faixa das onze pode ser apenas a ponta de uma transformação muito maior na dramaturgia da emissora.

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