Teatro

Globo faz 60… e quem ganha o presente é o público! Espetáculo “Espelho Mágico” emociona, diverte e ainda cutuca o óbvio

Com humor afiado, nostalgia na medida certa e um elenco afiadíssimo, montagem celebra seis décadas da TV — mas deixa gostinho de “quero mais”

Publicado em 31/03/2026

Se a ideia da TV Globo era comemorar seus 60 anos com um espetáculo protocolar… pode esquecer. O musical Espelho Mágico faz justamente o contrário: pega a memória afetiva do público, sacode tudo com bom humor e entrega um show que emociona, diverte e ainda dá aquela leve alfinetada no lugar-comum.

Logo de cara, o que conquista é o clima saudosista — daqueles que fazem o público sorrir sozinho. Tudo passa pelas músicas, pelas imagens que dançam no cenário (que, aliás, é um espetáculo à parte) e pelas referências visuais que vão surgindo como quem não quer nada… mas acertam em cheio.

E aí entra ela: Eliane Giardini. Simplesmente impecável ao dar vida à autora Janete Clair. Não é imitação — é presença, é respeito, é talento em estado puro. Um dos grandes acertos da montagem.

Quem também rouba boas cenas é Marcos Veras, com um humor solto, inteligente e sem esforço. Mas segura essa: quem surpreende mesmo é o jovem talento mirim — daqueles que fazem a plateia comentar na saída. Com carisma e timing afiado, ele entrega momentos leves e divertidos que quebram qualquer expectativa.

E aqui vai um ponto que merece destaque (e aplauso): o espetáculo foge do óbvio. Nada de caricaturas ou cópias baratas de personagens clássicos. As referências estão lá — no figurino, em bordões, em pequenos gestos — mas cada personagem tem personalidade própria, mais contemporânea e com um humor mais escancarado. Funciona. E muito.

Entre os momentos que fazem o público ir ao delírio, dois são praticamente unânimes:

A Cuca invade o palco

A icônica personagem do Sítio do Picapau Amarelo surge em uma versão divertidíssima, com energia lá no alto e um timing cômico que arranca gargalhadas sinceras.

O momento Xuxa (o auge!)

Quando Xuxa Meneghel entra em cena… esquece. É o ápice. Tem nave, Paquitas, música, interação e aquela energia que atravessa gerações. É impossível não se contagiar.

No fim das contas, Espelho Mágico é muito bem costurado, ágil e inteligente. Mas também deixa uma sensação curiosa: faltou tempo pra contar tanta história. São tantas memórias, tantos ícones, que dá vontade de uma continuação — e isso, convenhamos, é um baita elogio.

Curiosidade: o espetáculo foi criado como parte oficial das comemorações dos 60 anos da Globo e reúne referências que vão dos clássicos das novelas aos programas infantis e de auditório — tudo reinterpretado para o palco, sem depender de reprodução literal.

No fim, fica o veredito: é celebração, é crítica leve, é diversão — e é, acima de tudo, um lembrete poderoso do tamanho da história que a TV brasileira construiu.

Serviço:
Espelho Mágico segue em cartaz em temporada especial comemorativa. De 3 a 12 de Abril no BTG Pactual Hall 

Sexta às 20h, Sábado às 16h e às 20h, Domingo às 15h e Domingo (05/04) às 19h
Ingressos: disponíveis nas bilheterias e plataformas digitais.

Este colunista assistiu ao espetáculo a convite da OdontoPrev, uma das patrocinadoras da montagem.

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