Tá errado

Band insiste no erro e tenta salvar Dona Beja com remendos na programação

Mudanças às pressas, baixa audiência e decisões desconexas expõem a dificuldade da emissora em entender o próprio público

Publicado em 18/03/2026

A Band parece determinada a transformar uma boa oportunidade em mais um capítulo de frustração. Quando tudo indicava que Dona Beja poderia ser um acerto estratégico, a emissora decidiu complicar — e agora corre atrás do prejuízo com mudanças que soam mais como desespero do que planejamento.

A decisão de exibir a novela apenas duas vezes por semana já causava estranhamento. Agora, com os números na mesa, o cenário fica ainda mais delicado. Exibida às quintas e sextas, a produção ainda não conseguiu ultrapassar a marca de 1,0 ponto na Grande São Paulo. No último dia 12, marcou apenas 0,3. Um desempenho que acende o alerta vermelho e escancara que algo está muito errado.

Nos bastidores, o clima não é dos melhores. Procurada pelo Notícias da TV, a Band confirmou mudanças na programação. Segundo o TV Pop, a emissora demonstrava insatisfação com os índices de audiência de Felipeh Campos e Pâmela Lucciola. A resposta veio rápida: cortar, mexer, reposicionar. Mas será que isso resolve?

A nova aposta é tentar impulsionar Dona Beija com uma entrega mais forte. Às quintas, entra em cena reprises do Linha de Combate, programa policial comandado por João Paulo Vergueiro, que até então vivia escondido na madrugada. Já às sextas, a emissora escala o documentário Planeta Selvagem, que tem tido desempenho razoável aos domingos. Ambos passam a funcionar como trampolim para a novela, que agora começa às 23h15.

A estratégia até pode fazer sentido no papel, mas esbarra em um problema maior: a falta de coerência na construção da grade. Em vez de criar um hábito no público, a Band fragmenta ainda mais a experiência. Dona Beija, que precisava de regularidade e exposição, segue sendo tratada como um experimento.

E o erro mais gritante continua lá, intacto: a novela não entra no horário onde poderia, de fato, brigar por audiência. Era para começar logo após a novela da Globo, ali na faixa das 22h15, 22h20, pegando um público já aquecido e disposto a continuar consumindo dramaturgia. Era simples, era lógico, era eficiente. Mas a Band preferiu inventar.

No meio desse vai e vem, outro problema crônico da emissora volta à tona: a insistência em nomes que não conseguem segurar o público. Televisão aberta ainda depende — e muito — de carisma. Técnica ajuda, mas não sustenta. Sem presença, sem conexão, o telespectador troca de canal sem pensar duas vezes.

No fim, Dona Beja segue como um produto com potencial evidente, impulsionado até pelo alcance internacional e pelo nome de Grazi Massafera, mas preso em uma engrenagem que parece sabotar o próprio sucesso. E a Band, mais uma vez, reforça a impressão de que não perde a chance de dar um tiro no pé — mesmo quando tem a arma apontada para o alvo certo.

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