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Teve uma fase da televisão brasileira que parece roteiro de novela: ousada, intensa e completamente inesperada. Entre 1997 e junho de 2000, a CNT firmou uma aliança poderosa com a Televisa por meio da parceria CNT/TV Gazeta. E o resultado foi simplesmente histórico.
A emissora colocou no ar uma verdadeira maratona de folhetins mexicanos de peso, transformando sua grade em um festival de lágrimas, vilãs impiedosas e romances arrebatadores. Para os fãs, era um sonho. Para o mercado, uma jogada ousada.
Essas produções marcaram profundamente a programação da CNT, levando ao público brasileiro novelas consagradas e títulos que já eram fenômenos internacionais. Era praticamente um bloco fixo de dramalhões que fazia qualquer noveleiro parar tudo para assistir.
Entre as principais novelas mexicanas exibidas pela CNT estavam:
• Bajo un mismo rostro – exibida como A Força de Uma Mulher (1997), cheia de conflitos familiares e reviravoltas explosivas.
• Simplemente María – exibida como Simplesmente Maria (1997), o clássico da mulher batalhadora que conquistou o público.
• Corazón salvaje – Coração Selvagem (1997-1998), um dos romances mais intensos da teledramaturgia mexicana.
• Imperio de cristal – Império de Cristal (1997), drama empresarial carregado de traições.
• Chispita – exibida em 1997, o melodrama infantil que arrancava lágrimas até dos mais durões.
• Prisionera del amor – Prisioneira do Amor (1997), com aquela carga dramática típica da Televisa.
• Alcanzar una estrella – Alcançar Uma Estrela (1997), que misturava juventude, música e romance.
• Cañaveral de Pasiones – Canavial de Paixões (1997-1998), um dramalhão rural cheio de segredos.
• La otra – exibida como A Outra (2009-2010), mostrando que a emissora voltou a apostar no filão anos depois.
• Mañana es para siempre – Amanhã é Para Sempre (2009-2010), outro título que reforçou o retorno da fase mexicana.
• Sueños y caramelos – exibida como Sonhos e Caramelos, voltada ao público jovem.

E não parou por aí. A parceria também envolveu produções como Antônio dos Milagres e Irmã Catarina, ampliando o catálogo latino que a emissora oferecia ao público brasileiro.
Na época, as novelas chegaram a elevar os índices da CNT para padrões considerados muito positivos dentro da realidade da emissora. Não era liderança, mas era crescimento, repercussão e, principalmente, fidelidade de público. Quem era fã, assistia religiosamente.
Curiosamente, após esse período de ouro das novelas mexicanas, a CNT mudou drasticamente sua linha de programação e passou a focar grande parte da grade em conteúdos religiosos, encerrando aquela fase intensa de dramalhões internacionais.
Hoje, olhando para trás, parece inacreditável que uma emissora considerada alternativa tenha exibido tantos títulos de peso em tão pouco tempo. Foi uma era que misturou ousadia empresarial, paixão noveleira e uma dose generosa de melodrama.
Quem viveu aquela fase sabe: a CNT já foi, sim, o paraíso das novelas mexicanas no Brasil. E a saudade ainda fala alto.
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