A preparação de Jeniffer Nascimento para interpretar Nancy em Quem Ama Cuida foi além dos estudos tradicionais de composição de personagem. Durante participação no Encontro, a atriz contou que buscou conhecer de perto a realidade de mulheres que passaram pelo sistema prisional após agirem em legítima defesa. As conversas, segundo ela, foram determinantes para construir a trajetória da ex-detenta e deixaram marcas profundas em sua vida pessoal.
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Jeniffer explicou que tentou visitar uma unidade prisional para aprofundar a pesquisa, mas não conseguiu autorização. Como alternativa, entrevistou mulheres que viveram experiências semelhantes às da personagem, muitas delas também mães. A atriz afirmou que Nancy representa uma discussão ainda pouco explorada na televisão e destacou que não se lembra de outra personagem presa por agir em legítima defesa. “Eu falo que eu escolhi fazer arte, porque eu acho que a arte é uma ferramenta de transformação social. Então, ela é uma personagem que tá completamente alinhada ao meu propósito”, declarou.
Os relatos ouvidos durante a preparação provocaram forte impacto emocional. Jeniffer contou que saiu das conversas profundamente abalada ao refletir sobre a forma como essas mulheres são tratadas após deixarem a prisão. Entre as histórias que mais a impressionaram, ela destacou o abandono vivido por muitas detentas. Segundo a atriz, enquanto presídios masculinos costumam receber grande número de visitantes, diversas mulheres permanecem sem qualquer contato da família. Em um dos relatos, ela ouviu que, em um pavilhão com cerca de 400 presas, apenas dez recebiam visitas, e que muitas sonhavam apenas em receber uma carta para se sentirem lembradas.
Fora das telas, porém, a relação entre mãe e filho retratada na novela encontrou um caminho bem diferente. Apesar dos conflitos vividos por Nancy e Camilo na trama, Jeniffer revelou que já tinha uma ligação antiga com Antonio Caramelo e sua família. A atriz contou que conhece Aline Wirley desde o início da carreira, quando gravou um comercial com a ex-integrante do Rouge, e acompanhou o crescimento do jovem ator desde bebê. Segundo ela, essa proximidade facilitou a construção da conexão entre os personagens, especialmente nas cenas mais intensas. “A gente teve pouco tempo para construir essa relação, mãe e filho, porque as nossas cenas são de grandes impactos. Então, por trás dessas cenas, já existe amor há muito tempo”, concluiu.
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