Opinião

Aline Midlej prova que firmeza e sensibilidade ainda cabem no telejornalismo

Âncora do Jornal das Dez une rigor, escuta e humanidade em uma condução que respeita a notícia e o público

Publicado em 18/06/2026

Há jornalistas que entregam a notícia. Outros, mais raros, conseguem fazer com que a notícia atravesse a tela sem perder humanidade. Em tempos de excesso, gritaria e pressa, a televisão paga brasileira ainda encontra em algumas figuras um ponto de equilíbrio entre rigor, escuta e sensibilidade. Aline Midlej pertence a esse grupo. Não apenas pela segurança com que conduz o Jornal das Dez, na GloboNews, mas pela maneira como ocupa a bancada sem transformá-la em pedestal.

Aline Midlej, nascida em São Luís, no Maranhão, construiu uma trajetória marcada por consistência, preparo e presença. Como âncora titular do Jornal das Dez e também em suas participações nos plantões do Jornal Nacional, ela se consolidou como uma das vozes mais prestigiadas do telejornalismo brasileiro. Há nela uma combinação difícil: firmeza sem arrogância, emoção sem sentimentalismo, opinião sem descuido com a informação. Aline não abandona o fato para aparecer mais que ele. Ao contrário, parece entender que o bom jornalismo começa quando a vaidade sai de cena.

O diferencial está no modo como ela fala com o público. Aline acolhe sem amaciar a notícia. Consegue tratar temas duros com uma delicadeza que não diminui a gravidade dos fatos. Quando comenta política, direitos humanos ou representatividade racial, suas palavras não soam como frase pronta de teleprompter. Há pensamento, vivência, escuta e elaboração. Suas opiniões tocam porque não parecem fabricadas para viralizar. Elas chegam como reflexão de alguém que sabe o peso do que está dizendo e entende que, do outro lado da tela, existe uma pessoa tentando compreender o país.

É por isso que sua presença se tornou tão importante na TV paga. Aline Midlej tem o profissionalismo de quem domina o tempo do jornal, mas também a sensibilidade de quem percebe o tempo humano da notícia. Ela informa, contextualiza, provoca e consola quando necessário. Em uma televisão muitas vezes tomada pelo ruído, sua condução lembra que credibilidade também é feita de tom, pausa e cuidado. Aline dá a notícia como quem respeita a inteligência do telespectador e, ao mesmo tempo, reconhece sua dor. Essa é uma qualidade rara. E, talvez por isso, tão poderosa.

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