Próxima das 21h

Vale Tudo: Manuela Dias e Paulo Silvestrini falam sobre desafios e mudanças na realização da nova versão do clássico

Autora e diretor artístico pretendem fazer novela que agrade tanto a quem viu a original quanto a quem não pôde conhecê-la

Publicado em 19/03/2025

No ano em que celebra seu 60º aniversário, a TV Globo decidiu ocupar a faixa das 21h com um remake de um dos grandes clássicos da teledramaturgia brasileira: Vale Tudo (1988), de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. Manuela Dias assina a nova versão, cujo diretor artístico é Paulo Silvestrini. A estreia será em 31 de março, em substituição à tumultuada Mania de Você, de João Emanuel Carneiro.

Em conversa com a jornalista Márcia Pereira, do portal F5, Manuela e Paulo falaram sobre modificações necessárias em relação à história contada nos anos 1980, que ao mesmo tempo permanece a mesma em sua essência e sua discussão em torno dos métodos questionáveis usados por uns e outros com o objetivo de se dar bem, de tirar vantagem. Faz-se assim uma grande homenagem a Vale Tudo e ao próprio gênero, na data especial.

Os avanços da sociedade nesses quase 40 anos não podem ser ignorados ao se refazer uma novela clássica, seja Vale Tudo ou qualquer outra. Na busca de chamar a atenção e agradar tanto ao espectador que viu a versão original quanto aos muitos que não a conhecem ainda – 40% do público atual, segundo pesquisas citadas por Manuela -, o novo cartaz do horário nobre reconta a conhecida história, com o olhar dos dias atuais.

“Eu acho que as histórias são vivas. A novela é feita para todos, e quem não viu a original tem agora a chance de conhecer uma história renovada, mas com cheiro vintage. Para quem já viu, será como reencontrar um velho amigo. O tempo fez o seu trabalho; então, ele tem novos conceitos e novas formas de ver a vida”, diz a escritora. “O mundo mudou muito, né? Ainda bem, para muitos fatores, e não tão bem para outros”.

O ponto de vista sobre assuntos como o alcoolismo e o racismo mudou de 1988 para cá, o que demanda maior delicadeza em sua abordagem. O mesmo vale para o empoderamento feminino, o machismo que ainda resiste e a naturalidade que a homossexualidade e a bissexualidade têm conquistado. A sustentabilidade e as mudanças climáticas também surgirão entre as novas reflexões da novela.

Se de um lado Vale Tudo segue contando a história de uma mãe honesta, Raquel (Taís Araújo), e sua filha inescrupulosa, Maria de Fátima (Bella Campos), cujos caminhos são atravessados pela poderosa e mau-caráter Odete Roitman (Débora Bloch), de outro essa história procura agora refletir as transformações ocorridas no Brasil desde 1988.

“Segundo estudos, 40% do público nunca teve contato com a obra original; então, para essas pessoas, é uma chance incrível”, afirma a autora, que fala da nova versão como algo familiar que é reencontrado, mas ao mesmo tempo é novo, na visão de quem assistiu à novela original.

Paulo Silvestrini reforça a importância de revisitar Vale Tudo, com as mudanças e adaptações que têm sido promovidas agora, na esperança de que haja conexão do público atual com o enredo. Para ele, não haveria por que produzir um remake se nada fosse mudado em relação à novela já conhecida, e o desafio da empreitada está justamente em manter tudo que tornou a novela um clássico do gênero. Também por isso, algumas sutis homenagens à primeira versão estão nos planos.

“Para o fã, a essência da obra está preservada, os personagens estão ali, a trama está toda ali. E a gente brinda isso sempre com pequenos atrativos, uma homenagem aqui e outra ali, seja com recursos estéticos ou por uma linguagem narrativa”, adianta o diretor artístico, que para trazer um toque especial ao trabalho se inspira em diretores que tem como referências em sua carreira, como Dennis Carvalho e Ricardo Waddington – não por acaso, os dois diretores da primeira Vale Tudo.

Nos últimos anos, fora trabalhos do decorrer da carreira que vem desde a década de 1990, Paulo Silvestrini obteve êxito com produções de grande apelo junto aos jovens: Malhação – Viva a Diferença (2017-2018), de Cao Hamburger, e Vai na Fé (2023), de Rosane Svartman. Ele valoriza a oportunidade de apresentar o clássico para uma nova geração de espectadores.

“Eu acho uma boa oportunidade de entrar em contato com a expressão máxima desse gênero. Eu, como brasileiro, também tive as novelas como parte da minha formação. Eu convivo com esse público já há 32 anos, e posso dizer que é uma posição muito especial, e eu procuro fazer isso com muita atenção e vontade para que o público se sinta recompensado”, declara Paulo.

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