Ação civil

Suposta apologia ao incesto em remake de Renascer leva ONG a exigir R$ 1 milhão da Globo

Vozes dos Anjos, de Brasília, alega que casal protagonista teve relação de pai e filha antes de romance

Publicado em 24/02/2025

Corre na 28ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma ação civil pública movida pela organização não-governamental Vozes dos Anjos, de Brasília (DF), contra a Globo, motivada pela segunda versão da novela Renascer, escrita por Bruno Luperi a partir do original de Benedito Ruy Barbosa e levada ao ar pela TV Globo de janeiro a setembro do ano passado.

A título de indenização, a ONG pede R$ 1 milhão à Globo. A alegação é de que o casal principal da história, formado por José Inocêncio (Marcos Palmeira) e Mariana (Theresa Fonseca), vive uma relação que pode ser caracterizada como incestuosa, o que incentiva os espectadores a fazer o mesmo. As informações são do jornalista Gabriel Vaquer, em sua coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo.

Quem assistiu à novela, inclusive em sua versão original, de 1993, levada ao ar na mesma faixa – logo após o Jornal Nacional -, sabe que Mariana não era parente biológica de José Inocêncio. Antes de viverem um romance, para a ONG os dois tiveram uma conexão de pai e filha, por assim dizer, já que o produtor de cacau ajuda a moça e a acolhe em sua casa, trazida pelo filho caçula João Pedro (Juan Paiva).

Embora a Vozes dos Anjos tenha se incomodado com o termo “painho”, apelido pelo qual Mariana chamava José Inocêncio, assim como os filhos dele também o chamavam, e também por isso considere que Renascer fazia apologia ao incesto, a moça era neta de Belarmino (Antonio Calloni), grande inimigo do fazendeiro, e de Nena (Quitéria Kelly).

“A exposição de um relacionamento amoroso/sexual entre duas pessoas que representam figuras paterno/filiais em uma novela de horário nobre e em televisão aberta deve ser compreendida como uma narrativa que fomenta a cultura do incesto paternal no Brasil”, afirma a entidade para embasar sua demanda.

Emn sua defesa, a Globo alega que a Vozes dos Anjos tem uma visão inadequada de Renascer, e que o pedido de R$ 1 milhão como indenização é descabido. “A afirmação é falaciosa”, consta do dito pelos advogados da empresa na ação civil pública em curso desde o fim de dezembro.

“Ao contrário do afirmado, a narrativa da obra em momento algum propõe haver relação de paternidade entre o personagem José Inocêncio e Mariana, muito menos faz qualquer alusão a ocorrência de incesto”, explicaram. “Não há nada na trama que remeta o telespectador ao tema do incesto paternal, muito menos qualquer banalização a tão odiosa prática”, afirmou a Globo, que se defendeu em 15 de fevereiro. Por ora não há previsão de data do julgamento do caso.

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