Rebelde teve início de produção em 2004, pela Televisa, uma época em que não se discutia tão profundamente como hoje, assuntos como representatividade, gordofobia, homofobia e tantos outros temas que vieram a se tornar papel fundamental em produtos do gênero. Com isso, o que muita gente deixou passar desapercebido no passado, hoje não tem mais como defender ou fazer vista grossa.
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Considerada um dos produtos mais marcantes de uma era da TV em toda América Latina, Rebelde, que teve produção de Pedro Damián, pioneiro do filão infanto-juvenil que virou febre no México no final dos anos 80 e se perdurou até metade da década passada, hoje seria facilmente “cancelada” na internet devido a tantas falhas de produção em seu contexto geral.
Visto a enorme repercussão com do anúncio de uma nova reprise da trama pelo SBT, a coluna pontua detalhes que explicam o motivo da novela ser a mais problemática já produzida nos últimos tempos.
Relacionamentos abusivos
Como o próprio nome justifica a história, Rebelde apresentava, principalmente, relações conturbadas entre pais e filhos. Contudo, limites eram ultrapassados quando o comportamento dos próprios adultos da trama eram completamente desproporcionais e atingiam esferas criminosas. No meio disso, tudo era normalizado, tanto pelos próprios personagens quanto pelo público que acompanhava a história.
Maus-tratos, abusos e ameças a todo tempo
O casos são vários, mas quando diz a respeito dos casais Mia (Anahí) e Miguel (Alfonso Herrera), Roberta (Dulce Maria) e Diego (Christopher Uckermann), fica muito mais notório o quanto eles nunca se repeitaram e tampouco se importavam com integridade um do outro.
Além da toxidade no trato, os quatro personagens se agrediam fisicamente, verbalmente, se menosprezavam e sofriam diversos outros abusos inaceitáveis.
Situações do tipo eram corriqueiras a cada capítulo e aconteciam, geralmente, na frente de outros personagens que nada faziam contra.
Tudo sempre terminava com uma trilha romântica de fundo. “Você gosta de se sentir vitima, né?“, disse Mieguel numa cena em que ele enforcava Mia Colucci e a ameaçava jogá-la de um penhasco.
Gordofobia, homofobia e falta de representatividade
O assunto já foi exaustivamente abordado, mas cabe lembrar o quanto a personagem Celina, interpretada por Estefanía Villarreal, sofreu nas mãos de suas próprias amigas, principalmente com Mia Colucci, que mesmo se colocando como superprotetora, a tratava como seu projeto e ainda a ridicularizava por seu comportamento fora dos “padrões”. Mia sempre foi muito abusiva com Celina e impunha até dietas à personagem. O tom das cenas era de humor.
Rebelde também ficou marcada por não ter qualquer tipo de representatividade negra ou LGBTQIA+. No universo da novela, que se passava no colégio Elite Way School, entre mais de 150 personagens que transitaram nas três temporadas, entre alunos, professores, pais e personagens de planos menos relevantes, não existiu nenhum gay ou negro.
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