Trilhas eruditas

Assim como Quanto Mais Vida, Melhor!, relembre outras novelas que tiveram música clássica na abertura

Apocalipse era, até então, o caso mais recente

Publicado em 22/11/2021

Nova aposta da Globo para a faixa das 19h, a novela Quanto Mais Vida, Melhor! já estreou arrancando elogios do público em geral. Além da história divertida, do brilho do elenco e do capricho da produção, outro ponto que surpreendeu no lançamento da trama foi a trilha sonora, com direito à icônica Sinfonia nº 5, de Bethoven, embalando a abertura.

Assim como o folhetim de Mauro Wilson, outras tramas da TV brasileira também ganharam um tom mais ‘cult‘ ao escolher músicas clássicas para embalar suas vinhetas de entrada. Relembre conosco alguns casos.

A Fábrica (Tupi, 1971-1972)

Um dos primeiros casos de trilha clássica em aberturas de folhetins no Brasil, esta bem sucedida obra do saudoso Geraldo Vietri (1927-1996) centrava-se na luta da jovem e destemida Isabel (Aracy Balabanian) para reerguer a tecelagem de seu pai, destruída anos atrás por um incêndio.

Os créditos de abertura eram exibidos diariamente ao som da Sinfonia nº 40 de Mozart, com arranjo e regência de Leo Peracchi.

Bravo! (Globo, 1975)

Escrita por outro ícone da dramaturgia nacional, Janete Clair (1925-1983), esta trama de quase 200 capítulos tinha como figura central o conceituado maestro Clóvis di Lorenzo (Carlos Alberto), um gênio da música em crise com a própria carreira. Com um protagonista assim, nada mais justo que a trilha principal da obra estivesse à altura, certo?

Assim sendo, a abertura de Bravo! mostrava Di Lorenzo em ação com sua batuta ao som da canção homônima de Júlio Medáglia, executada pela Orquestra Som Livre, passando a ideia de que esta estivesse sendo regida pelo personagem principal a cada novo capítulo da trama.

Ovelha Negra (Tupi, 1975)

Exibida praticamente ao mesmo tempo em que Bravo! na concorrência, a história de Walther Negrão e Chico de Assis girava em torno de um anti-herói, Júlio Monteiro (Rolando Boldrin), enganando a toda uma cidade em busca dos próprios interesses.

Desta vez, optou-se por um clássico genuinamente tupiniquim para a abertura: O Trenzinho do Caipira, composição de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) executada pela Orquestra Renato de Oliveira. A peça original era parte das Bachianas Brasileiras nº 2, escritas por Villa-Lobos em 1932.

Os Adolescentes (Band, 1981)

Concebida como uma espécie de novela-reportagem sobre a juventude do início daquela década, este elogiado trabalho de Ivani Ribeiro não quis saber de ‘modernidades’ na trilha central.

Muito pelo contrário: o encarregado da direção musical era Júlio Medáglia, fundador da Amazonas Filarmônica, que escalou para a cortina de entrada nada menos que a Sinfonia nº 9, de Bethoven.

Apocalipse (Record TV, 2017)

Caso mais recente (até agora) de novela brasileira com música clássica na abertura, a trama bíblica da Record TV escolheu a sombria, mas emotiva Adágio em Sol Menor, do italiano Tomaso Albinoni (1670-1750), em uma regravação mais atual de Kleber Augusto.

À época do lançamento da história – centrada na dominação de Ricardo Montana (Sérgio Marone), o temido anticristo, sobre a terra nos últimos dias da humanidade -, chamou a atenção que a peça original já tivesse feito parte da trilha sonora de A Viagem (1994), folhetim espírita da concorrente Globo.

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