Giovanna Antonelli analisa sua personagem Luzia, de Segundo Sol: “Ela sofre, mas não é sofrida”

Publicado em 30/04/2018

Giovanna Antonelli está prestes a mostrar para todo o Brasil sua segunda protagonista de horário nobre, a primeira foi Jade, de O Clone (2001, Globo). Agora, ela será Luzia, em Segundo Sol, na Globo. A trama estreia em 14 de maio, mas já começa a chamar a atenção por se escrita pelo prestigiado ator João Emanuel Carneiro.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Antonelli contou que Luzia será uma personagem guerreira, que se apaixonará, porém, perderá, então, tudo na vida, o filho, inclusive. Ela se verá numa situação completamente perdida, no fundo do poço. Com isso, a novela terá uma passagem de tempo, a vida dos personagens andará.

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Além disso, ela adianta outras características da personagem, que promete uma mudança radical no visual da segunda fase. Antonelli revelou como está sendo trabalhar com Deborah Secco e Adriana Esteves. Confira:

Vamos falar sobre Luzia, sua personagem em Segundo Sol. É uma mocinha, né?

“As pessoas me perguntam se vou fazer uma mocinha e digo que ela não é mocinha, é uma mulher. Uma mãe protetora, guerreira, de fibra, uma leoa, batalhadora, uma mulher bem brasileira com qual me identifiquei. Ela vai vivendo situações que jamais poderia imaginar que fosse passar, tem a sorte de conseguir ir embora, e volta anos depois para reconstruir sua vida.”

E ela vai sofrer muito?

“Ela sofre, mas não é sofrida. Ela vai no fundo ao poço, sofre muitas perdas na vida quando descobre o amor. São perdas irreparáveis e ela volta 18 anos depois buscando seu segundo sol, sua segunda chance, que é como estamos levando essa história. Ela é viva, tem brilho, tem luz. Na primeira fase é um tsunami de coisas, é uma novela densa, muito profunda, falando de ser humano, de família, de resgate. Todas as tramas são tão potentes e cada uma com suas questões latentes, bem definidas, que todos os atores têm um sentimento coletivo por essa trama. João está inspiradíssimo.”

Ela vai precisar abandonar os filhos?

“Na verdade, ela não abandona os filhos, a situação é a seguinte: ou ela foge ou é presa. Então não foi uma opção para aquela mulher com aquele nível de instrução, naquele momento. Quando você assistir, vai ver que ela vai sendo levada por acontecimentos, o que é bem angustiante, porque realmente ela fica o tempo todo entre dois lugares, fazendo escolhas sem ter muitas opções. Os filhos e ela são separados radicalmente, o que para ela é uma dor e ela vive para esse reencontro.”

O que você faria no lugar dela?

“Não faço ideia. É muito difícil a gente se colocar numa situação que não é a nossa, e nunca sabemos o que leva as pessoas a fazerem certas coisas. Nunca me sinto nesse direito, é uma coisa que só vivendo.”

Você consegue imaginar um motivo que te levaria a ficar longe do seu filho?

“Nossa, não posso nem pensar numa coisa dessa. Não vivo com essa realidade. Trabalho com a cabeça com foco no positivo, porque pensar nisso desestrutura qualquer ser humano, talvez a vida perca o sentido.”

E qual será a reação dos filhos ao saberem que ela voltou?

“Eu acho que os filhos não têm a noção do que aconteceu, nem a dimensão do que se passou. Ela é acusada por um crime que não cometeu, enrolada por uma pessoa que ela não imaginava. Passa a achar que um dos filhos morreu, e que o Beto também morreu. É muita tragédia, com as crianças muito pequenas ainda. 18 anos depois, eles são adultos vivendo com resquícios de um passado sem detalhes, e ela só volta quando se sente forte o suficiente para estar ali, e entrar num país com outro nome, então é uma situação complicada.”

Ela volta repaginada?

“Depois de 18 anos na Islândia (Europa), ninguém volta impune, não é? (Risos).”

Mas ela volta rica e famosa?

“Não. Ela volta junto com o Groa (André Dias) que era o amigo que tocava violão enquanto ela cantava. Ela volta já como uma DJ, porque a música sempre permeou a vida dela. Não é uma DJ famosa, na verdade ela é mais conhecida na internet, cool, faz um som, e se aproxima da galera jovem ao participar de um rodízio com outros DJ’s. A música é um fio condutor onde ela extravasou seu sentimento. Foi através da música que Groa e Luzia levar um pouco do Brasil para a Islândia, e foi através disso que ela voltou a se reencontrar com os filhos. A música é só pano de fundo.”

Ela vai começar a se reaproximar dos filhos depois de 18 anos?

“Ela volta para resgatar os filhos. A história dela é pautada por isso. Quando ela se sente preparada, ela volta para o Brasil para se aproximar dos filhos, mas com outra identidade porque se ela voltar como Luzia, ela é presa, porque ela sai acusada por um crime que não cometeu. Detalhes.”

Você ficaria tanto tempo longe do seu país assim como a personagem?

“Não sei. Adoro viajar, mas sou feliz em qualquer lugar. Vou para onde a vida me levar, minha família me levar. Claro que só iria com a minha família, mas sou aberta para a vida, não tenho nenhuma amarra.”

Você está sempre lançando moda nas novelas que participa. O que a Luzia vai trazer nesse quesito?

“Eu deixo a Heleninha (Helena Gastal – Figurinista) doida, mas ela já trabalhou tanto comigo que já está até acostumada. Sempre tenho alguma ideia, e ela adora. A Luzia na primeira fase é bem simples, não usamos maquiagem, foi tudo de cara limpa mesmo, não tem assessório, não tem nada. Mas quando ela volta, ela vem com essa tendência bem street, uma pegada bem Nova Iorque, e bem comum, porque tudo é feito com base em calça jeans, looks versáteis, é muito legal. O conceito da caracterização foi uma ideia do Fernando Torquato, porque tinha que ser uma mudança radical, aí nisso, o autor fala, o diretor fala, e eu também dou pitaco, é um trabalho de equipe. Existe toda uma etapa até chegar aqui.”

Você mudou completamente o visual. Você se gosta mais loira?

“Eu amei, fiquei com uma cara que eu nunca tinha tido antes. Adoro mudar o visual e esse loiro mais branco nunca tinha usado e entrou para a minha lista de favoritos. Não sei como vai ficar o estado do meu cabelo no fim da novela (risos). Ficou bem moderno, com cara de quem chegou da Islândia (risos).”

Está dando trabalho para cuidar?

“Não, é ótimo! Confesso que fica mais bonito quando eles arrumam, em casa estou sofrendo um pouquinho, mas aprendendo. Passo um secador, faço uma chuquinha, mas preservo bem o meu babyliss.”

Suas personagens marcam muito as pessoas que sempre pedem na Central Globo de Atendimento um cabelo igual ao seu, uma roupa igual a sua…

“Eu gosto quando as personagens chegam na 25 de Março e no Saara. Isso é o que me deixa mais feliz, porque é onde a gente percebe que está na boca do povo.”

Como está sendo trabalhar com a Deborah Secco e Adriana Esteves?

“Um sonho! Trabalhei com Deborah em Laços de Família então já é minha amiga, e Adriana é minha musa, minha paixão. Nunca tínhamos trabalhado juntas. Temos amigas em comum que diziam para mim: ‘Você precisa se encontrar com a Adriana, porque vai se apaixonar por ela’. E realmente, ela é apaixonante. É bom poder estar com as duas.”

Você chegou a gravar alguma coisa na Islândia?

“Nada. É tudo a magia da televisão (risos).”

Ela vai demorar para reencontrar o Beto?

“Sabe que novela do João nada demora, né? Tudo acontece todos os dias, e é um thriller que a gente não consegue parar de ler os capítulos. Você quer que eu dê spoiler aqui? Vocês vão ficar chocados até na primeira fase. É tudo lindo, e tudo vai sendo descoberto para todos os personagens.”

Qual conselho você daria para ela?

“Ih, sou péssima de conselhos. Nunca dou palpite na vida de amigos. Eu sou daquelas que fala: ‘Amor, faz o que seu coração mandar’. Minha mãe me ensinou isso desde pequena e acho que é a forma correta de agir.”

A novela fala sobre segunda chance. Você já teve uma segunda chance?

“Toda semana, eu tenho uma segunda chance (risos). Chance de ser melhor comigo, com meus filhos, no meu trabalho. Quantas vezes não estamos recomeçando, e se reconstruindo? Não existiu nada que me traumatizou, mas passei por vários momentos de decepção, e de desgaste. Acho que todos merecem uma segunda chance, mas será que todos tentam? Resta saber de que forma você aproveita sua segunda chance, porque quando se tem uma, é necessário aproveitá-la melhor do que a primeira.”

Como é o seu trabalho com a música, já que a personagem é uma cantora?

“Vou lançar um CD! Mentira (risos). Está sendo muito bacana porque meu pai sempre trabalhou com música. Cresci no teatro municipal, quando tinham óperas antigamente, meu irmão e eu dormimos ali naqueles bancos vendo o papai, e ouvi música de todos os gêneros. Fiz aulas de canto no passado, e quando soube que eu teria que cantar na novela, meu pai foi a primeira pessoa para quem eu liguei para contar. Fiz aulas, me preparei e na verdade Luzia não é uma cantora, mas ela canta no seu modo Luzia de ser.”

Mas você cantava quando era Angeliquete…

“Ah, era mais uma brincadeira. E Luzia tem isso como um hobby, com um parceiro que toca violão, que é o Groa. Dentro desse mundo, a música a completa.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano
* Colaborou o jornalista Renan Vieira

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