Há mistérios que crescem não pela quantidade de respostas, mas pela insistência com que se recusam a desaparecer. Quem Ama Cuida transforma a permanência de uma mulher entre os vivos em algo maior do que uma manifestação sobrenatural isolada. Depois de três encontros, já não parece suficiente perguntar como aquela presença é possível. A questão passa a ser outra: por que ela continua voltando e o que ainda precisa resolver antes de partir?
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Otoniel (Tony Ramos) atravessa essa experiência desde que Francesca (Nathalia Dill) surgiu diante dele. A revelação de sua verdadeira identidade altera a percepção sobre aqueles encontros e faz com que Otoniel passe a pensar cada vez mais nela. Quando Francesca reaparece, o vínculo entre os dois ganha outra camada. Não se trata mais do espanto provocado por uma aparição inesperada, mas da construção de uma relação entre alguém que permanece aqui e uma mulher cuja história deveria ter terminado com a morte.
O terceiro encontro amplia ainda mais esse mistério. Otoniel volta a ficar diante de Francesca e, depois, decide contar a Elisa sobre o que viveu. É uma mudança importante porque aquilo que permanecia restrito às experiências dele começa a alcançar outra personagem. O segredo deixa de existir apenas entre Otoniel e Francesca. Ao compartilhar o reencontro, ele transforma uma experiência íntima em informação capaz de provocar novas perguntas sobre o passado e sobre aquilo que mantém Francesca ligada aos vivos.
É nesse ponto que Quem Ama Cuida muda a dimensão da história. Francesca já não funciona apenas como uma presença impossível que surpreende Otoniel. A repetição dos encontros sugere que sua permanência tem um propósito que ainda precisa ser esclarecido pela trama. Otoniel sabe que a viu. Elisa passa a saber que esses encontros acontecem. Falta descobrir a peça mais importante: o que Francesca ainda procura antes de finalmente conseguir partir.
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