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Problema nos bastidores: Globo é obrigada a alterar cenas já gravadas de Quem Ama Cuida

Detalhe exibido em sequência envolvendo Ademir e Suely provoca notificação extrajudicial, leva emissora a reeditar capítulo e exige mudanças digitais em material já produzido

Publicado em 26/07/2026

Há situações em que o maior problema de uma novela não está no roteiro, mas naquilo que aparece ao redor dele. Quem Ama Cuida descobriu essa fronteira quando um elemento aparentemente secundário da ambientação ganhou importância suficiente para provocar uma reação fora da ficção. O caso obrigou a Globo a voltar a um material que já estava gravado, modificar imagens e administrar uma questão que nasceu justamente da tentativa de dar aparência de realidade à história.

A controvérsia envolve as cenas em que Adriana (Leticia Colin) presencia Ademir (Dan Stulbach) assediando Suely (Julia Stockler). Durante a sequência, apareciam placas com a identificação da Associação dos Advogados de São Paulo, a AASP, instituição existente fora da novela. A entidade contestou o uso de sua marca naquele contexto, enviou uma notificação extrajudicial à Globo e afirmou publicamente que os acontecimentos retratados na obra não representam seus valores institucionais.

A reação produziu consequências práticas. Segundo a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a Globo reeditou o capítulo disponibilizado no Globoplay e retirou vídeos promocionais nos quais a identificação aparecia. A produção também passou a remover digitalmente as referências visuais à associação das sequências que já haviam sido gravadas. O arco envolvendo Suely e a denúncia contra Ademir permanece normalmente na história. O que desaparece é a associação visual com a entidade que questionou sua presença naquele ambiente ficcional.

O episódio de Quem Ama Cuida expõe uma questão cada vez mais delicada para produções que procuram aproximar a ficção do cotidiano. Uma marca real colocada ao fundo pode parecer apenas cenografia até ser relacionada, mesmo involuntariamente, a uma situação que jamais autorizou representar. A Globo não precisou modificar o conflito dramático nem abandonar o tema do assédio. Precisou corrigir o enquadramento da realidade ao redor dele. E talvez esteja aí a ironia mais interessante do caso: numa novela construída para colocar grandes dramas em primeiro plano, foi justamente um detalhe do cenário que acabou movimentando os bastidores.

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