Existem formas de violência que não precisam de gritos para produzir estragos profundos. Quem Ama Cuida abre uma nova frente dramática ao mostrar como afeto, quando confundido com posse, pode se transformar em instrumento de controle. O conflito ganha contornos especialmente dolorosos porque coloca uma criança no centro de uma disputa construída por adultos. Aquilo que poderia representar proteção começa a assumir outra natureza, marcada por manipulação, ressentimento e pela tentativa de enfraquecer um vínculo materno.
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Mirtes (MC Carol) passa a alienar Camilo (Antonio Caramelo) contra Nancy (Jeniffer Nascimento) e trabalha para impedir a reaproximação entre mãe e filho. Depois de assumir os cuidados do sobrinho durante o período em que Nancy esteve presa, Mirtes desenvolve a convicção de que ocupa o verdadeiro lugar materno na vida do menino. A partir daí, o cuidado deixa de ser apenas acolhimento. Ela transforma a proximidade construída durante a ausência da irmã em uma arma para conservar Camilo ao seu lado.
O passado torna esse embate ainda mais delicado. Nancy cumpriu cinco anos de prisão depois da morte do ex-marido, Vanderlei, em um episódio ocorrido após uma trajetória marcada por agressões e violência psicológica. No dia em que decidiu denunciá-lo, ele avançou contra ela. Nancy o empurrou para se defender, e Vanderlei caiu, bateu a cabeça em um banco de concreto e morreu. A prisão afastou mãe e filho justamente no período em que Mirtes passou a ocupar um espaço cada vez maior na criação do menino.
Agora, Mirtes pretende usar essa história para impedir que Nancy reconstrua aquilo que lhe foi retirado. Camilo deixa de ser apenas objeto da disputa e passa a ser instrumentalizado contra a própria mãe, enquanto Mirtes também direciona suas ações contra Adriana (Leticia Colin). A força desse conflito em Quem Ama Cuida está justamente na perversão de algo originalmente associado ao cuidado. Mirtes acredita estar defendendo o lugar que conquistou na vida do sobrinho, mas cruza uma fronteira decisiva quando transforma o afeto de uma criança em ferramenta para punir outra mulher.
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