Uma boa vingança de novela raramente se satisfaz com a primeira vitória. Quem Ama Cuida transforma a revanche de sua protagonista em um processo calculado, no qual cada adversário atingido abre caminho para o seguinte. A queda inicial tem valor simbólico, mas está longe de encerrar o acerto de contas. O plano é maior: enfraquecer, um a um, aqueles que participaram da conspiração responsável por sua condenação até deixar a principal inimiga sem proteção.
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Depois de atingir Ademir (Dan Stulbach), Adriana (Leticia Colin) volta sua atenção para Ulisses (Alexandre Borges). Ao investigar os sumiços do empresário, ela descobrirá seu vício em jogos de azar e perceberá que encontrou justamente a vulnerabilidade necessária para atacá-lo. Com a ajuda de Lyris (Pri Helena), Adriana pretende explorar o segredo e atingir não apenas a vida particular de Ulisses, mas também a imagem que ele tenta preservar diante dos outros.
A lista continuará. Tom (Allan Souza Lima), que prestou falso testemunho contra Adriana, também entrará na mira depois que sua relação abusiva com Elenice (Mariana Sena) chegar a um episódio de agressão. Na sequência, Silvana (Belize Pombal) e Diná (Rosi Campos) terão de enfrentar planos específicos da protagonista por suas participações na armação que a levou à prisão. A vingança deixa, assim, de funcionar como explosão emocional para assumir a lógica de uma demolição planejada.
Pilar (Isabel Teixeira) ficará para o fim. Como principal articuladora da conspiração, ela será poupada dos primeiros ataques não por misericórdia, mas por estratégia. Adriana pretende derrubar antes os aliados que sustentam seu poder e chegar à adversária quando ela estiver isolada. É essa arquitetura que dá outra dimensão à vingança em Quem Ama Cuida: Ademir não representa a chegada, apenas o primeiro obstáculo removido. Ulisses é o próximo. E Pilar talvez só perceba o tamanho do cerco quando já não houver ninguém ao redor para protegê-la.
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