Há recompensas que chegam tarde demais para reparar o passado, mas exatamente a tempo de transformar o futuro. Quem Ama Cuida prepara para sua protagonista uma dessas viradas em que dinheiro significa muito mais do que riqueza. Depois de uma trajetória marcada pela perda da liberdade e pela necessidade de reconstruir a própria existência, a história finalmente altera a relação de forças. O que chega às suas mãos não devolve os anos perdidos, mas oferece algo igualmente decisivo para a dramaturgia: autonomia para enfrentar quem antes parecia inalcançável.
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Adriana (Leticia Colin) descobre que Arthur Brandão (Antonio Fagundes) deixou uma fortuna escondida em uma conta bancária na Suíça. A chave para acessar o dinheiro estava diante dela o tempo inteiro: a senha foi gravada na aliança que recebeu do empresário. A revelação faz da fisioterapeuta uma mulher milionária justamente quando a Brandão Joias atravessa seu período mais delicado, sob a gestão de Ingrid (Agatha Moreira), que chega à presidência depois de derrotar Tiago (Gui Ferraz) em uma votação decidida por Ulisses (Alexandre Borges).
A fragilidade da empresa oferece a Adriana aquilo que nenhuma vingança impulsiva conseguiria proporcionar. Com o patrimônio recém-descoberto, ela investe secretamente na joalheria e passa a ocupar uma posição relevante dentro do negócio sem revelar imediatamente sua identidade. Enquanto Pilar (Isabel Teixeira) e a família Brandão procuram uma saída para preservar a empresa, o dinheiro capaz de sustentá-la vem justamente da mulher que agora encontra uma forma de avançar sobre o território de seus adversários.
Se o planejamento original da trama for mantido, está aí uma das inversões mais elegantes de Quem Ama Cuida. A fortuna não funciona como prêmio pelo sofrimento, porque dinheiro algum compensaria aquilo que foi retirado de Adriana. Funciona como poder narrativo. Depois de 100 capítulos, a protagonista deixa de depender apenas da descoberta da verdade para recuperar sua vida e conquista condições concretas para determinar os próximos movimentos. A melhor recompensa, portanto, não está nos milhões que recebe, mas no direito finalmente reconquistado de decidir de que lado o jogo será jogado.
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