O verdadeiro fim de um vilão raramente começa na última cena. Antes do desfecho, existe um instante em que as pessoas deixam de acreditar nele, os aliados desaparecem e o poder já não produz o mesmo efeito. Em Quem Ama Cuida, a trajetória de Ademir é construída exatamente sobre essa lenta perda de controle. A reta final não apresenta uma queda repentina, mas o desmonte gradual de um homem que sempre fez da manipulação sua principal arma.
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Caso a novela siga a sinopse prevista, Ademir (Dan Stulbach) assiste ao próprio mundo ruir diante de seus olhos. As denúncias comprometem a carreira, clientes encerram contratos, Dora (Mariana Ximenes) decide colocar um ponto final no casamento e o advogado acaba condenado pelos crimes cometidos ao longo da história. Pela primeira vez, ele deixa de ditar as regras e passa a responder por elas. O personagem que construiu uma reputação baseada na influência termina privado justamente daquilo que sempre acreditou ser intocável.
A prisão marca o início de seu último ato. Longe dos tribunais, sem prestígio e sem a rede de proteção que o acompanhou durante anos, Ademir enfrenta uma realidade que dinheiro e contatos já não conseguem modificar. Segundo a sinopse, o antagonista será atacado por outros detentos e morrerá esfaqueado dentro do presídio, encerrando sua trajetória de forma brutal e definitiva. Não há fuga, negociação ou reviravolta capaz de interromper o caminho que ele próprio ajudou a construir.
O acerto de Quem Ama Cuida está em fazer desse desfecho a consequência natural de tudo o que veio antes. A morte não funciona como um choque isolado, mas como a última peça de um processo que começou quando Ademir passou a perder credibilidade, afeto e autoridade. Se a sinopse for mantida, seu capítulo final será menos sobre a violência da cena e mais sobre a constatação de que nenhum poder é suficiente para impedir o acerto de contas com o próprio passado.
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