O poder costuma dar aos personagens a falsa impressão de que o mundo continuará girando ao seu redor. Em Quem Ama Cuida, a próxima sequência de capítulos mostra justamente o contrário. Enquanto uma matriarca vê a autoridade desmoronar dentro da própria empresa, um advogado acostumado a intimidar adversários descobre que a exposição pública pode ser mais devastadora do que qualquer derrota nos bastidores. A novela encontra força ao colocar seus dois personagens mais influentes diante de uma realidade que já não conseguem controlar.
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A derrocada de Ademir (Dan Stulbach) começa quando Suely oficializa a denúncia de assédio tendo Pedro (Chay Suede) como advogado. A iniciativa, articulada em parceria com Adriana (Letícia Colin), faz o caso ganhar proporções maiores. O advogado passa a ser pressionado por e-mails anônimos, recebe uma intimação para depor e enfrenta o constrangimento de chegar à delegacia cercado pela imprensa. O cenário se agrava quando outras mulheres demonstram interesse em formalizar denúncias, clientes cancelam compromissos e até Dora (Mariana Ximenes) decide colocar um ponto final no casamento, deixando o antagonista completamente isolado.
Ao mesmo tempo, Pilar (Isabel Teixeira) enfrenta um golpe que atinge diretamente sua credibilidade. Convencida de que foi roubada, ela acusa funcionários da Joalheria Brandão e ameaça chamar a polícia por causa do desaparecimento de um anel. A situação muda de rumo quando Carmita (Deborah Evelyn) devolve a peça e revela que a joia é uma imitação. Pressionada, Ingrid (Agatha Moreira) admite que entregou um protótipo à própria mãe, pretendendo substituí-lo apenas depois da conclusão da compra. Mais do que descobrir uma peça falsa, Pilar percebe que foi enganada justamente por quem escolheu para comandar os negócios da família.
O maior acerto de Quem Ama Cuida está em construir essas duas quedas sem recorrer a soluções apressadas. Ademir perde prestígio antes mesmo de enfrentar a Justiça, enquanto Pilar vê sua autoridade ruir dentro da própria casa. São humilhações de naturezas diferentes, mas igualmente devastadoras, que deslocam o centro da narrativa para um tema recorrente nas melhores novelas: nenhuma posição de poder resiste quando a confiança desaparece e as consequências dos próprios atos finalmente batem à porta.
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