Há derrotas que acontecem de uma só vez e outras que se constroem em silêncio, até que o adversário perceba, tarde demais, que perdeu o controle da própria história. Quem Ama Cuida escolhe esse segundo caminho. A novela transforma a paciência da protagonista em sua maior arma e inicia uma fase em que o homem mais poderoso da trama começa a experimentar a sensação que sempre impôs aos outros: a de não ter para onde fugir.
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A virada acontece quando Adriana (Letícia Colin) descobre o caso secreto entre Ademir (Dan Stulbach) e Suely (Julia Stockler). Em vez de agir por impulso, ela conquista a confiança da secretária e a convence a denunciar o advogado por assédio sexual. Representada por Pedro (Chay Suede), Suely leva o caso à delegacia, dando início a uma ofensiva cuidadosamente planejada pela protagonista, que acompanha tudo à distância, certa de que a primeira peça de seu plano acaba de ser movida.
O efeito da denúncia é imediato. Ademir é intimado a depor, passa a ser cercado pela imprensa e vê sua reputação desmoronar à medida que outras mulheres decidem formalizar novas acusações. Clientes abandonam o escritório, contratos importantes são perdidos e o prestígio construído ao longo de anos começa a desaparecer. A crise também invade sua vida pessoal, culminando na decisão de Dora (Mariana Ximenes) de encerrar o casamento e expulsá-lo de casa.
O grande mérito de Quem Ama Cuida está em compreender que a maior vitória de Adriana não é assistir à queda de Ademir, mas provocar essa queda usando exatamente aquilo que ele jamais valorizou: a verdade. A protagonista deixa de ser definida pela injustiça que sofreu para assumir o comando da narrativa com inteligência e precisão. É uma mudança que amadurece a novela e reposiciona sua heroína como a verdadeira estrategista da história, enquanto o antagonista, pela primeira vez, se vê obrigado a enfrentar consequências que já não consegue controlar.
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