Há cenas que encerram um casamento e há cenas que libertam uma personagem. Em Quem Ama Cuida, a decisão de Dora representa muito mais do que o fim de uma relação desgastada. Depois de acompanhar em silêncio as manipulações, as ausências e as mentiras de Ademir, ela finalmente compreende que permanecer ao lado dele significaria renunciar à própria dignidade. A novela encontra, enfim, o momento de catarse que vinha construindo desde os primeiros capítulos.
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O estopim é a descoberta da vida dupla de Ademir (Dan Stulbach). As traições com Suely (Julia Stockler) deixam de ser um episódio isolado quando vêm acompanhadas pelas denúncias de assédio feitas por outras mulheres. O advogado, que sempre cultivou a imagem de homem íntegro e respeitado, passa a assistir ao desmoronamento de sua reputação dentro e fora de casa. Para Dora (Mariana Ximenes), já não existe espaço para explicações ou promessas de mudança.
É nesse instante que a personagem assume o protagonismo da própria história. Sem elevar a voz ou recorrer ao melodrama fácil, Dora coloca Ademir para fora de casa e encerra um casamento sustentado por ilusões. Enquanto o advogado perde clientes, prestígio e o controle da situação, ela recupera algo muito mais valioso: a liberdade de decidir que tipo de vida deseja levar dali em diante. A força da sequência está justamente na serenidade com que ela transforma uma dor antiga em um gesto definitivo.
O maior acerto de Quem Ama Cuida é compreender que a recompensa do público nem sempre está na queda do vilão, mas na libertação de quem passou tempo demais suportando o peso de suas escolhas. Dora não vence porque humilha Ademir. Vence porque deixa de permitir que ele determine seu destino. É uma daquelas cenas que justificam a longa espera e lembram por que a teledramaturgia continua encontrando sua maior força quando transforma coragem em emoção.
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