Algumas personagens passam boa parte da novela tentando preservar um mundo que já desmoronou sem perceber. Em Quem Ama Cuida, Dora leva 60 capítulos para entender que há um momento em que insistir deixa de ser um gesto de amor e passa a ser um ato de renúncia a si mesma. Seu rompimento não nasce de um impulso, mas do acúmulo de pequenas decepções que, finalmente, encontram um ponto de ruptura.
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A descoberta das traições de Ademir (Dan Stulbach) com Suely (Julia Stockler) muda completamente a maneira como Dora (Mariana Ximenes) enxerga o casamento. O escândalo ganha proporções ainda maiores quando outras mulheres denunciam o advogado por assédio e abuso de poder, enquanto sua reputação desmorona diante da opinião pública. Pela primeira vez, Dora percebe que não foi enganada apenas por uma infidelidade, mas por uma vida inteira construída sobre mentiras.
A reação é definitiva. Sem espaço para desculpas ou novas promessas, Dora expulsa Ademir de casa e encerra uma relação que parecia inabalável. O gesto coincide com a queda profissional do advogado, que passa a perder clientes importantes e vê sua imagem de homem respeitável desaparecer na mesma velocidade em que os segredos vêm à tona. Enquanto ele luta para salvar o que resta de seu prestígio, Dora escolhe salvar a própria dignidade.
O acerto de Quem Ama Cuida está em transformar o fim de um casamento em um recomeço, e não apenas em um castigo para o vilão. O basta de Dora não representa somente a derrota de Ademir. Representa a libertação de uma mulher que deixa de viver à sombra das escolhas do marido para assumir, enfim, o protagonismo da própria história. É uma virada silenciosa, mas das mais significativas da novela.
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