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Crítica do dia: Tatiana Tiburcio transforma Rosa na alma silenciosa de Quem Ama Cuida

Com uma atuação delicada e firme, atriz faz da cozinheira um dos pilares emocionais da novela e entrega uma personagem que cresce a cada capítulo

Publicado em 16/07/2026

Há personagens que chegam destinados ao protagonismo e outros que conquistam esse lugar pela força da interpretação. Em Quem Ama Cuida, Rosa pertence ao segundo grupo. Em uma novela marcada por grandes confrontos, disputas familiares e reviravoltas, Tatiana Tiburcio encontrou na discrição o caminho para construir uma das figuras mais sólidas da trama. Seu trabalho confirma uma verdade rara na televisão: a potência de um personagem nem sempre está no volume de suas falas, mas na verdade que transmite em cada cena.

A atriz transforma Rosa em muito mais do que a cozinheira da família Brandão. Sob sua interpretação, a personagem ganha densidade, inteligência e uma humanidade que escapa de qualquer estereótipo. Há firmeza sem rigidez, sensibilidade sem fragilidade e uma elegância que atravessa cada gesto. Inspirada nas mulheres de sua própria família, Tatiana constrói uma personagem que acolhe, observa e age no momento exato, tornando Rosa uma presença indispensável dentro da narrativa.

Essa maturidade artística encontra seu auge nas sequências ao lado de Pilar (Isabel Teixeira). Os confrontos entre as duas atrizes dispensam exageros porque são sustentados pela qualidade da interpretação. Enquanto Pilar impõe sua autoridade pelo medo e pela manipulação, Rosa responde com serenidade, coragem e convicção. O resultado é um embate em que o silêncio muitas vezes comunica mais do que qualquer explosão de raiva, elevando o nível dramático da novela e oferecendo ao público algumas de suas cenas mais marcantes.

O crescimento de Rosa acompanha o amadurecimento da própria história. Ao proteger Adriana (Leticia Colin), guardar segredos decisivos e enfrentar aqueles que abusam do poder, a personagem se torna o eixo moral de Quem Ama Cuida. E isso acontece porque Tatiana Tiburcio compreende algo que diferencia as grandes intérpretes: personagens inesquecíveis não precisam disputar o centro da cena. Basta que ocupem, com verdade e talento, o centro da emoção.

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