Por que tantos famosos estão trocando joias por relógios raros?

Publicado em 03/07/2026

Se durante décadas os diamantes dominaram os tapetes vermelhos e os grandes eventos internacionais, hoje um novo acessório parece ter conquistado de vez o universo das celebridades. Nomes como Cristiano Ronaldo, Jay-Z, Mark Wahlberg, Ed Sheeran, Drake, Kim Kardashian e David Beckham têm chamado atenção não apenas pelos looks, mas pelas peças de alta relojoaria que aparecem discretamente em entrevistas, eventos, jogos e publicações nas redes sociais.

Em vez de colares extravagantes ou pulseiras repletas de diamantes, relógios produzidos em edições limitadas passaram a representar exclusividade, tradição e, principalmente, patrimônio. Em muitos casos, uma única peça pode ultrapassar facilmente a casa dos milhões de reais e ainda continuar se valorizando ao longo dos anos.

Para o especialista em alta relojoaria Renan Bastos, essa mudança acompanha uma transformação na forma como o luxo é percebido.

Existe uma busca cada vez maior por peças que contem uma história. Um relógio de alta relojoaria reúne engenharia, tradição, acabamento artesanal e uma produção extremamente limitada. Ele deixou de ser apenas um acessório para se tornar um ativo colecionável e, muitas vezes, um investimento.”

Segundo o especialista, o comportamento das celebridades também influencia diretamente o interesse do público por determinados modelos.

Quando um artista ou atleta aparece usando um relógio raro, naturalmente desperta curiosidade. Mas o que realmente sustenta o valor dessas peças não é quem está usando, e sim fatores como escassez, qualidade de fabricação, importância histórica e demanda entre colecionadores.”

Ao contrário do que muitos imaginam, Renan explica que a discrição passou a ser uma característica valorizada nesse mercado.

“O conceito de luxo mudou. Hoje, muitas pessoas preferem um relógio extremamente sofisticado, reconhecido apenas por quem realmente entende do assunto, do que uma joia chamativa. É um luxo mais silencioso, que comunica conhecimento, exclusividade e bom gosto.”

Essa mudança também acompanha o crescimento do mercado de colecionadores, que passou a enxergar determinadas referências como patrimônio de longo prazo. Algumas edições limitadas alcançam listas de espera de vários anos e, quando chegam ao mercado secundário, podem ser negociadas por valores muito superiores ao preço original.

Para Renan Bastos, esse comportamento explica por que tantos artistas passaram a direcionar parte de suas coleções para a alta relojoaria.

Um grande relógio atravessa gerações. Ele pode ser usado, colecionado e até herdado. Existe um componente emocional muito forte, além do valor financeiro. É uma peça que representa conquistas pessoais e costuma permanecer relevante por décadas.”

Mais do que acompanhar uma tendência da moda, o crescimento da alta relojoaria entre celebridades evidencia uma mudança no próprio conceito de luxo. Em vez de apostar apenas em peças chamativas, cada vez mais famosos demonstram preferência por acessórios que unem tradição, exclusividade, história e potencial de valorização, consolidando os relógios raros como um dos bens mais desejados do mercado de alto padrão.

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