Em Quem Ama Cuida, Dora começa a mostrar uma face muito menos comportada do que aparentava. Casada com Ademir (Dan Stulbach), ela se aproxima perigosamente de André (Henrique Barreira), sobrinho do marido, e deixa escapar sinais de um desejo que tenta esconder. A primeira cena que entrega essa mudança acontece quando Dora (Mariana Ximenes) se surpreende ao ver André na escola de dança. O encontro parece casual, mas a reação dela já denuncia que aquele retorno mexe mais do que deveria.
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A segunda cena vem quando Carolina (Mah Duarte) beija André. Dora tenta disfarçar a própria reação, mas o incômodo fica evidente. É nesse detalhe que a personagem começa a se revelar: ela não está apenas constrangida pela presença do rapaz, está afetada por ele. O ciúme silencioso mostra que a relação deixou de ser apenas familiar e entrou em um terreno perigoso, onde desejo, culpa e vaidade passam a caminhar juntos.
A terceira cena confirma o que antes era apenas insinuado. Durante um ensaio, Dora e André se beijam, rompendo de vez a fronteira que ainda separava atração de traição. O gesto é explosivo porque envolve não apenas uma mulher casada, mas a esposa de Ademir se envolvendo com o sobrinho dele. Em uma novela movida por segredos e vinganças, esse beijo tem força de bomba familiar.
O mais interessante é que Dora não surge como uma vilã clássica, daquelas que planejam tudo em voz alta. Sua queda é mais doméstica, mais íntima, quase silenciosa. Ela vai cedendo aos poucos, tentando manter a aparência enquanto se deixa arrastar por uma paixão proibida. Em Quem Ama Cuida, a personagem prova que a maior desordem nem sempre vem de grandes crimes: às vezes nasce de um olhar mal disfarçado, de um ciúme engolido e de um beijo que não deveria acontecer.
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