Camila Dias explica por que um simples perfume pode despertar lembranças que pareciam esquecidas

Publicado em 29/06/2026

Empresária e estudiosa do universo das fragrâncias e das experiências sensoriais, Camila Dias acredita que um perfume pode fazer muito mais do que marcar presença. Segundo ela, os aromas têm a capacidade de despertar memórias, reviver emoções e resgatar momentos que pareciam esquecidos. O fenômeno, conhecido como memória olfativa, é explicado pela ciência e ajuda a entender por que o cheiro de um café, de uma roupa limpa ou de uma fragrância específica consegue transportar alguém, em segundos, para outra fase da vida.

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    Quem nunca sentiu um cheiro e, imediatamente, lembrou de alguém especial, da casa dos avós, de uma viagem ou da infância? Diferentemente dos outros sentidos, o olfato possui uma ligação direta com áreas do cérebro responsáveis pelas emoções e pela memória, o que faz dos aromas um dos estímulos mais poderosos para acessar lembranças afetivas.

    Para Camila Dias, os cheiros funcionam como verdadeiros arquivos emocionais que acompanham as pessoas ao longo da vida.

    “Muitas vezes não nos lembramos de uma cena inteira, mas basta sentir determinado aroma para reviver sensações, pessoas e momentos que pareciam esquecidos. É como se os cheiros fossem pequenos arquivos emocionais guardados dentro de nós, esperando apenas o estímulo certo para serem acessados.”

    Segundo ela, o cérebro não registra apenas o cheiro, mas todo o contexto em que aquele aroma foi vivido. Pessoas, lugares, sentimentos e experiências acabam sendo armazenados juntos, criando conexões emocionais que podem permanecer intactas durante décadas.

    Camila Dias
    Camila Dias

    Por isso, determinados aromas despertam memórias tão intensas. O perfume usado pelos pais, o sabonete da casa da avó, um bolo recém-saído do forno, flores presentes na rotina familiar ou até o cheiro característico da chuva podem permanecer vivos na memória mesmo depois de muitos anos.

    Mais do que despertar lembranças, Camila acredita que as fragrâncias também ajudam a construir essas memórias.

    “Podemos esquecer uma conversa, uma roupa ou até um lugar, mas dificilmente esquecemos como alguém nos fez sentir. Os aromas participam justamente dessa construção. Eles deixam de ser apenas um cheiro e passam a representar conforto, amor, pertencimento, felicidade ou saudade.”

    Essa relação também explica por que algumas fragrâncias ficam diretamente associadas às pessoas. Basta sentir determinado perfume para que um rosto venha imediatamente à mente.

    Para Camila, quando alguém adota uma fragrância como assinatura, ela passa a fazer parte da sua identidade, da mesma forma que o estilo de se vestir ou a maneira de falar.

    “É muito comum ouvir alguém dizer: ‘Esse perfume me lembra tal pessoa’. Nesse momento, o aroma deixa de ser apenas um produto e passa a integrar a identidade daquela pessoa.”

    Na avaliação da empresária, esse é um dos motivos pelos quais o mercado da perfumaria desperta tanto interesse. Mais do que uma escolha estética, os perfumes representam uma forma silenciosa de comunicação e expressão pessoal.

    Em um cenário cada vez mais dominado pelas telas, pelas redes sociais e pelos estímulos visuais, Camila observa que as experiências sensoriais têm conquistado um novo espaço. Enquanto imagens registram momentos, os aromas são capazes de fazer com que eles sejam sentidos novamente.

    “Vivemos cercados por informações o tempo todo, mas o olfato continua sendo uma experiência profundamente humana. Um perfume não precisa de imagem para existir. Basta sentir. Talvez seja justamente por isso que os aromas continuem exercendo um papel tão importante na forma como nos conectamos com pessoas, lugares e momentos.”

    A memória olfativa reforça uma percepção compartilhada tanto pela ciência quanto pela experiência cotidiana: algumas das lembranças mais marcantes da vida não estão ligadas ao que vimos, mas ao que sentimos. E poucas experiências despertam emoções com tanta intensidade quanto um simples aroma.

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