Opinião

Letícia Colin e Chay Suede provam que a nova geração está à altura dos grandes

Em Quem Ama Cuida, atores mostram que a teledramaturgia se renova sem perder a essência do ofício: entrega, escuta, técnica e verdade em cena

Publicado em 28/06/2026

A televisão brasileira sempre viveu de passagem de bastão. Cada geração recebeu da anterior não apenas personagens, mas uma forma de estar em cena, de respeitar o texto, de entender a câmera e de transformar melodrama em emoção legítima. Em Quem Ama CuidaLetícia Colin e Chay Suede reforçam uma percepção bonita: a nova geração de atores está bem servida. Há juventude, há frescor, há outra respiração, mas a essência permanece a mesma. O que muda é o tempo. O que fica é o compromisso com o ofício.

Letícia Colin pertence a esse grupo de intérpretes que parecem entrar em cena sem buscar aplauso imediato. Sua força está na escuta, no olhar, na maneira como deixa a dor aparecer sem transformar tudo em excesso. Como Adriana, ela sustenta a protagonista com uma entrega que combina delicadeza e intensidade. Há nela uma atriz formada pelo rigor, pela observação e por uma verdade emocional que não soa fabricada. Letícia não interpreta apenas o sofrimento de uma mulher injustiçada. Ela traduz a dignidade de quem continua de pé mesmo depois de ser esmagada.

Chay Suede, por sua vez, confirma uma maturidade cada vez mais evidente. Como Pedro, ele trabalha um personagem atravessado por amor, culpa, impotência e contradição. O ator entende que nem todo conflito precisa ser gritado. Muitas vezes, a cena está no atraso da resposta, na respiração presa, no olhar que hesita antes da palavra. É nesse lugar que Chay cresce. Ele rejuvenesce a figura do galã sem esvaziá-la. Não faz do romantismo uma pose, mas uma inquietação. E isso dá ao personagem uma camada mais humana, mais ambígua e mais interessante.

O mais bonito é perceber que essa nova geração não chega para negar quem veio antes. Ao contrário. Ela parece caminhar sobre um solo aberto por grandes atores que construíram a história da televisão brasileira. Tony Ramos, Antonio Fagundes, Fernanda Montenegro, Regina Duarte, Glória Pires, tantos nomes que ensinaram que novela também é arte popular, memória coletiva e trabalho duro. Quando intérpretes como Letícia Colin e Chay Suede se dedicam com seriedade ao texto, eles mostram que essa herança não foi perdida. Foi atualizada.

Há algo de simbólico nisso. A teledramaturgia pode mudar de ritmo, de linguagem, de estética e de público, mas continua dependendo da mesma matéria-prima: atores capazes de fazer o espectador acreditar. Letícia e Chay pertencem a uma geração que cresceu diante de outras referências, mas que compreende a grandeza do palco eletrônico brasileiro. Eles rejuvenescem a forma sem trair a essência. E talvez seja por isso que seus trabalhos soem tão fortes: porque parecem receber, em silêncio, os aplausos de pé de quem veio antes e reconhece neles a continuidade de uma arte que ainda emociona o país.

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