A televisão costuma mostrar Tatá Werneck pelo brilho mais imediato: a velocidade do raciocínio, o improviso, a inteligência cômica, a capacidade quase acrobática de transformar qualquer silêncio em cena. Mas há uma Tatá que a TV não consegue enquadrar por completo. Uma Tatá que aparece nos gestos de cuidado, no modo como fala dos seus, na maneira como acolhe a dor sem perder a delicadeza. Por trás da artista que faz rir existe uma mulher atravessada por uma amorosidade profunda, dessas que não se fabricam diante da câmera. Tatá é um ser humano diferenciado porque parece carregar o humor como uma forma de abraço.
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Esse tipo de luz não nasce do nada. Vem de uma história, de uma família, de um modo de aprender o mundo. Há nela algo de herança afetiva, algo que parece vir dos pais, da formação emocional, da convivência com quem ensinou que amor também é presença, proteção e escuta. E há também a família que ela construiu. Rafael Vitti, seu marido, tem essa doçura solar de quem fala sorrindo. É um menino sorriso, no melhor sentido da expressão. Ele parece emanar afeto até quando está em silêncio. Com Clara Maria, os dois formam uma pequena constelação doméstica em que o amor não aparece como discurso, mas como atmosfera.
Talvez por isso o luto por um animal, quando passa por Tatá, ganhe uma dimensão tão comovente. Para muitas pessoas, um pet é apenas companhia. Para quem ama de verdade, é vínculo espiritual, é família, é missão compartilhada. Na espiritualidade, acolher um animal costuma ser entendido como um gesto de profundo amor e caridade. Não se leva para casa apenas um bicho indefeso, mas um ser em evolução, uma presença que chega para ensinar paciência, lealdade, silêncio e amor sem negociação. Há encontros assim que parecem resgate mútuo: o humano salva o animal de uma dor concreta, e o animal salva o humano de durezas invisíveis.
Os animais têm essa capacidade misteriosa de reorganizar a energia de uma casa. Eles percebem o que não dizemos, absorvem tensões, deitam perto quando o mundo pesa, ensinam uma forma de fidelidade que não exige explicação. São, para muitos ensinamentos espiritualistas, irmãos menores na escala evolutiva, mas grandes mestres na arte de amar sem cálculo. Quando Tatá fala de Chico, ou de qualquer ser que passou por sua vida, o que aparece não é apenas a tristeza da perda. Aparece a grandeza de quem soube reconhecer naquele animal uma alma, uma companhia, uma história.
E talvez seja aí que a artista se revele de maneira mais inteira. Fazer rir também é emanar amor. Não o amor romântico, fácil, decorativo, mas o amor como energia de vida. Tatá faz rir porque observa o mundo com espanto, porque não endureceu por completo, porque ainda se deixa atravessar pelo absurdo e pela ternura. Sua graça não vem apenas da piada. Vem de uma humanidade inquieta, generosa, vulnerável. Em tempos tão áridos, em que tanta gente se protege atrás da ironia fria, Tatá lembra que o humor pode ser uma forma de cuidado. E que acolher, seja uma pessoa, um filho, um amor ou um animal, continua sendo uma das maneiras mais bonitas de iluminar a própria existência.
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