Há um instante em que a vítima percebe que sobreviver já não basta. Não é raiva passageira, nem impulso de quem perdeu a calma. É uma mudança mais funda, daquelas que alteram o jeito de olhar, de falar e até de ficar em silêncio. Em Quem Ama Cuida, a grande virada da novela das nove nasce desse ponto: a dor deixa de ser apenas sofrimento e passa a virar método.
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Adriana (Letícia Colin) sairá da prisão marcada por tudo o que viveu desde a condenação injusta pela morte de Arthur (Antonio Fagundes). A fisioterapeuta não voltará a mesma. Depois de humilhações, ameaças e agressões, ela entenderá que a verdade, sozinha, não devolve o que foi arrancado. A cena em que Adriana jura vingança contra as pessoas que a colocaram na cadeia será o marco dessa transformação.
A decisão não virá como capricho. Adriana foi afastada de quem ama, perdeu a própria vida e precisou aprender a resistir em um lugar feito para quebrá-la. Ao dizer a Nancy que está decidida a ir atrás de cada pessoa que a transformou em culpada por um crime que não cometeu, ela deixa claro que algo mudou para sempre. A mulher que entrou na cadeia ferida começará a sair de dentro de si mais fria, mais atenta e menos disposta a aceitar o papel de vítima.
Com essa virada, Quem Ama Cuida prepara uma nova fase de acerto de contas. A prisão não apagará Adriana; reorganizará sua dor. Cada mentira passará a ter nome, cada traição ganhará peso e cada silêncio carregará uma ameaça. A partir daí, a novela deixará de acompanhar apenas a tragédia de uma inocente condenada e passará a mostrar o nascimento de uma mulher pronta para cobrar, uma a uma, as dívidas deixadas por quem acreditou ter vencido.
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