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Quem Ama Cuida tem um nome silencioso por trás do auge do elenco

Preparação de Tel Lenna dá corpo, verdade e precisão às atuações de Letícia Colin, Isabel Teixeira e Chay Suede na novela das nove

Publicado em 18/06/2026

Toda grande novela precisa de uma boa história, mas isso nunca basta. O melodrama só ganha força quando a palavra deixa de ser apenas texto e passa a viver no corpo dos atores. Em Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, essa transformação aparece com rara nitidez. Há direção, dramaturgia e elenco em sintonia, mas há também um trabalho de bastidor que sustenta a temperatura emocional da trama. Tel Lenna, preparador de elenco, surge como uma presença decisiva nesse processo, ajudando a dar verdade humana a cenas que poderiam cair no excesso.

O efeito mais visível está em Letícia Colin, que constrói Adriana como uma mulher atravessada por dor, injustiça e resistência. A personagem poderia se limitar ao lugar da vítima, depois da condenação cruel, da prisão e das humilhações públicas. Letícia, no entanto, entrega algo mais complexo. Há dignidade no silêncio, revolta no olhar e uma exaustão que parece tomar conta do corpo inteiro. A tragédia de Adriana não aparece apenas na fala, mas na respiração, na pausa e na forma como ela ocupa a cena. É uma atuação de grande entrega, mas também de controle, como se emoção e técnica trabalhassem no mesmo compasso.

Na outra ponta, Isabel Teixeira transforma Pilar em uma vilã de alta voltagem. A personagem manipula, fere e humilha, mas nunca soa automática. Isabel leva para a tela uma precisão própria de quem conhece o teatro, o tempo da escuta e a força de um gesto bem calculado. A crueldade de Pilar não depende só da frase dura. Ela está na postura, na ironia contida, no modo como a atriz muda o clima de uma sequência ao entrar em cena. É nesse ponto que a preparação de Tel Lenna se torna perceptível: a vilania ganha desenho, ritmo e presença, sem virar caricatura.

Esse refinamento também se espalha pelo conjunto. Chay SuedeAntonio FagundesRosi Campos e os demais nomes do elenco parecem habitar a mesma novela, no mesmo registro, sem que cada cena soe isolada da anterior. O romance de Pedro, a autoridade de Arthur, a dor de Adriana, a perversidade de Pilar e as feridas familiares se encontram dentro de uma mesma pulsação dramática. O melodrama continua popular, direto e emocional, como deve ser, mas ganha acabamento. A emoção chega forte, só que trabalhada. O conflito cresce sem perder naturalidade.

Com passagens por trabalhos densos no audiovisual, como Os Outros e Onde Está Meu Coração, no Globoplay, Tel Lenna reafirma em Quem Ama Cuida a importância do preparador de elenco como artista essencial da dramaturgia. Existe o roteiro, existe a direção, existe o talento individual de cada ator. Mas existe também quem ajuda a fazer a ponte entre intenção e corpo, entre fala escrita e cena vivida. O auge do elenco de Quem Ama Cuida não é acaso. É resultado de um trabalho que entende atuação como presença, escuta, técnica e alma.

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