Opinião

Tata Werneck vive virada decisiva em Quem Ama Cuida e encontra em Brigitte seu papel mais maduro

Atriz deixa o rótulo da comédia para trás e transforma a personagem em um retrato doloroso de carência, obsessão e fragilidade emocional

Publicado em 07/06/2026

Os personagens mais interessantes não são aqueles que escondem suas feridas, mas os que passam a vida tentando sobreviver a elas. Em Quem Ama CuidaTata Werneck parece compreender essa lógica com rara sensibilidade. Conhecida pelo talento natural para a comédia, a atriz entrega em Brigitte uma interpretação que vai muito além do humor. O que surge na tela é o retrato de uma mulher emocionalmente quebrada, tentando encontrar nos outros o amor que nunca conseguiu encontrar dentro de si.

Filha de Pilar (Isabel Teixeira), Brigitte carrega cicatrizes que atravessam toda a sua existência. A rejeição, a falta de afeto verdadeiro e a necessidade permanente de ser vista transformaram a personagem em alguém que confunde amor com posse, carinho com obsessão e paixão com dependência emocional. A perseguição a Pitucho (Rômulo Arantes Neto), os comportamentos invasivos e as futuras fixações amorosas deixam de ser apenas situações extravagantes para revelar algo mais profundo. Tata constrói uma mulher cheia de vazios tentando preencher cada um deles com relações que nunca conseguem curá-la.

O grande acerto da atuação está justamente na recusa da caricatura. Seria fácil transformar Brigitte apenas em uma figura excêntrica ou em fonte constante de alívio cômico. A atriz escolhe outro caminho. Em cada excesso existe uma fragilidade. Em cada surto existe uma dor. Em cada gesto impulsivo existe uma tentativa desesperada de não se sentir abandonada. Poucas intérpretes conseguem equilibrar humor, desconforto e vulnerabilidade com tamanha precisão.

Em uma novela repleta de bons desempenhos, Tata Werneck entrega uma atuação que merece ser observada com atenção. Há maturidade, técnica e, principalmente, compreensão profunda da personagem. Brigitte pode ser caótica, obsessiva e até difícil de defender, mas nunca deixa de ser humana. E talvez seja exatamente aí que mora a força do trabalho da atriz. Quando o público consegue rir, se incomodar e sentir compaixão pela mesma personagem ao mesmo tempo, algo especial aconteceu. Em Quem Ama Cuida, Tata prova que seu talento sempre foi maior do que qualquer rótulo.

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