Há personagens que entram em uma novela pela porta da frente. Outros parecem atravessar uma fresta entre o mundo dos vivos e aquilo que ficou mal resolvido no passado. Em Quem Ama Cuida, Francesca (Nathalia Dill) nasce justamente nessa zona de dúvida. A mulher de preto que aparece para Otoniel (Tony Ramos) não se comporta como uma simples desconhecida. Ela carrega o silêncio, a repetição e o mistério de quem talvez não pertença inteiramente ao presente.
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O primeiro indício é o mais evidente: Francesca só aparece para Otoniel. Ele trabalha em uma banca de flores diante de um cemitério, cenário que por si só já reforça a atmosfera espiritual da trama. Ninguém mais parece viver essa experiência ao lado dele, o que transforma a personagem em uma presença íntima, quase uma visita destinada apenas ao florista.
O segundo motivo está na forma como ela surge. Francesca aparece sempre no mesmo lugar, como se estivesse presa a uma memória, a uma promessa antiga ou a uma história que ainda não foi encerrada. Em dramaturgia, repetição raramente é acaso. Quando uma figura misteriosa volta sempre ao mesmo ponto, a novela costuma avisar que existe uma ferida enterrada ali.
O terceiro detalhe é simbólico: ela não muda de roupa. A imagem da mulher de preto cria a sensação de aparição, de figura suspensa no tempo, quase como se carregasse um luto eterno. Em Quem Ama Cuida, isso reforça a suspeita de que Francesca seja uma assombração ou uma alma ligada ao passado de Otoniel. E, se sua presença realmente conectar o avô de Adriana (Letícia Colin) à família de Arthur (Antonio Fagundes), a aparição pode deixar de ser apenas mistério e virar a chave de um segredo antigo dos Brandão.
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