Tatá Werneck entrou em Quem Ama Cuida carregando uma expectativa que vai além do humor. Sua presença em cena, normalmente associada ao improviso, à velocidade verbal e ao domínio da comédia, apareceu agora a serviço de uma personagem que pede outra temperatura. Brigitte não nasce apenas para fazer rir. Ela nasce para incomodar, para expor a solidão por trás do excesso e para lembrar que certas formas de carência podem virar invasão.
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Brigitte (Tatá Werneck) é filha de Pilar (Isabel Teixeira), irmã de Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva), mas sua definição mais importante talvez esteja menos na árvore familiar e mais na ferida que a sustenta. Marcada pela rejeição da mãe, ela transforma desejo em insistência, afeto em perseguição e fantasia amorosa em falta de limite. O tema pode parecer engraçado à primeira vista, mas é sensível, atual e caro demais para ser tratado apenas como piada.
A escalação de Tatá é um acerto porque desloca a atriz de seu lugar mais previsível. O público conhece sua potência cômica, mas Quem Ama Cuida parece oferecer a ela a chance de construir uma personagem no campo do agridoce, onde o riso vem com um gosto estranho, quase culpado. Brigitte pode ser engraçada, sim, mas a graça só funciona se deixar aparecer o vazio que a move. E Tatá, nas primeiras cenas, já demonstra entender essa chave: não exagera apenas para provocar riso, exagera para revelar desamparo.
Ao mirar César (Rainer Cadete), casado com Bia (Maria Ribeiro), Brigitte entra na novela como uma ameaça de outra natureza. Não é a vilã clássica da fortuna, nem a personagem movida apenas por interesse material. Sua violência é afetiva. Ela invade, insiste, atravessa a vida alheia e confunde amor com posse. Em uma trama marcada por morte, herança e vingança, Tatá Werneck surge como uma das escolhas mais inteligentes do elenco: uma atriz popular, de enorme domínio cômico, diante da possibilidade rara de mostrar que também sabe transformar riso em desconforto e desconforto em drama.
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